A China, segunda maior economia do mundo, está implementando uma ampla reestruturação em seu ensino superior, impulsionada pela necessidade de se preparar para os impactos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho. A decisão de extinguir mais de 12 mil cursos universitários reflete a nova realidade que os formados enfrentam: a formação acadêmica não é mais uma garantia de segurança profissional.

Reorganização do Ensino Superior

Nos últimos anos, a China revogou ou suspendeu 12.200 ofertas de cursos entre 2021 e 2025, enquanto foram abertos 10.200 novos cursos no mesmo período. Essa mudança não representa apenas uma diminuição de cursos, mas sim uma reorganização estratégica, alinhando a educação superior ao 14º Plano Quinquenal do país. O foco agora está em áreas como robótica, biomanufatura e inteligência artificial comercial, enquanto cursos saturados, como marketing e tradução, estão sendo eliminados.

Desafios do Mercado de Trabalho

O Ministério da Educação da China também anunciou a criação de programas de requalificação para jovens que atuavam em profissões que estão desaparecendo devido à automação. Essa adaptação é crucial, visto que, ao contrário do que se previa em 2018, a IA não apenas afeta trabalhos manuais, mas também os cognitivos, aumentando a vulnerabilidade de formados em diversas áreas.

Comparação com o Brasil

No Brasil, a situação não é muito diferente. A Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que cerca de 30 milhões de trabalhadores estão em funções que podem ser impactadas pela IA generativa. Um estudo recente da ESPM aponta que 16% dos ocupados com ensino superior ocupam 58% das funções mais expostas a essa tecnologia, incluindo profissões como contadores e juízes.

Futuro das Competências

Os próximos anos serão decisivos para determinar como os modelos de ensino na China e no Brasil afetarão a adaptação de suas respectivas sociedades às mudanças trazidas pela IA. A abordagem chinesa de planejar o currículo de forma centralizada levanta preocupações sobre a uniformização do ensino, enquanto o Brasil, ao deixar essa decisão para o mercado, pode enfrentar um grave desafio com o aumento do desemprego.

Reflexão Necessária

A certeza de que a educação superior protege os cidadãos foi abalada pela realidade imposta pela IA. A questão que se coloca agora é: como os governos responderão a essa nova realidade e quais competências serão essenciais para sustentar o futuro da sociedade brasileira? A reflexão sobre essas questões é fundamental para que ambos os países possam navegar nas complexas águas da transformação digital.