A camisa amarela da Seleção Brasileira está novamente em alta, aparecendo em diversos locais como ruas, bares e academias. Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, este retorno vai além do esporte, refletindo um desejo de resgatar o significado do verde e amarelo, que, nos últimos anos, se tornou fortemente associado ao bolsonarismo. Em 2022, muitos evitavam usar a camisa por medo de associações políticas, mas agora, essa realidade parece estar mudando.

O retomar do orgulho nacional

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva entre 2 e 8 de junho revela que 67% dos brasileiros estão animados com a Copa do Mundo, enquanto 63% demonstram entusiasmo com a Seleção. Além disso, 86% dos entrevistados afirmaram que acompanharão os jogos, sendo que 52% acreditam que o Brasil conquistará o hexacampeonato. Esses números evidenciam a força do futebol como elemento de identidade nacional.

História da associação entre símbolos e política

De acordo com o cientista político Rudá Ricci, a relação entre patriotismo e símbolos nacionais não é nova no Brasil. A disputa por representações da identidade nacional existe desde os primórdios da República, com diferentes grupos políticos tentando definir quais valores e imagens representariam o país. O nacionalismo, na visão de Ricci, sempre esteve ligado a aspectos culturais e esportivos, e não apenas a símbolos oficiais.

Desmonopolização dos símbolos nacionais

Nos últimos anos, o bolsonarismo monopolizou o uso da bandeira nacional e da camisa da Seleção em várias manifestações, o que fez com que muitos associassem o verde e amarelo a um único espectro político. Entretanto, com a Copa de 2026, especialistas acreditam que essa exclusividade está começando a se desfazer. O professor de marketing político João Ricardo Mata afirma que, embora a marca 'Símbolo Nacional' não tenha dono, a disputa pelo seu uso está se intensificando.

Novas narrativas patrióticas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também fez sua parte nesse novo cenário ao defender a soberania nacional, um discurso que ressoa em contraposição ao monopólio anterior. Para o cientista político Eduardo Grin, essa mudança de percepção sobre o verde e amarelo é significativa, pois agora representa uma identificação que não pertence a um único grupo político.

A visão dos jovens e designers sobre a camisa

O designer Yuri Delfino defende que a camisa da Seleção sempre foi e sempre será um símbolo que pertence a todos os brasileiros, independentemente de suas preferências políticas. Rafael Lopes, um jovem de 24 anos, concorda, ressaltando que a camisa representa o país e não um partido específico. Essa nova visão pode ser um indicativo de que a camisa da Seleção está sendo resgatada como um símbolo de união nacional, em vez de divisão.