O Brasil está prestes a preencher completamente sua cota de exportação de carne bovina para a China, tendo alcançado 98,5% até o final de junho deste ano. Esse cenário levou frigoríficos a reduzirem seus abates, especialmente no terceiro trimestre, conforme análise divulgada pela StoneX nesta segunda-feira.

Quota de Exportação

A China, sendo o maior importador da carne bovina brasileira, estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas isenta da tarifa elevada de 55% para este ano, com o intuito de proteger sua produção local. De acordo com a StoneX, o Brasil conseguiu exportar essa quantidade significativa desde o início das operações em novembro do ano passado até o fim de junho.

Impacto no Mercado

Considerando os dados de internalização na China, que refletem a carne já desembarcada no país, o Brasil preencheu 72% da cota até o final de junho. O preenchimento completo deve acontecer até agosto, levando em conta o tempo necessário para o transporte dos produtos.

Reações do Setor

Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, destacou que a expectativa é de uma oferta maior de carne bovina no mercado interno, mas a primeira reação da indústria foi a diminuição dos abates. Este cenário está sendo sentido de forma aguda, especialmente no Mato Grosso, onde muitos frigoríficos iniciaram férias coletivas.

Resultados das Exportações

No primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina do Brasil atingiram um recorde, totalizando 1,705 milhão de toneladas e gerando US$9,85 bilhões em receita, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Mercado Chinês e Concorrência

A StoneX observou que a aceleração nas exportações brasileiras se deve, em parte, às cotas definidas pela China para 2026. Espera-se que as exportações para a China retornem no quarto trimestre, com o início da nova cota para 2027. A Austrália também já esgotou sua cota, o que significa que os principais fornecedores não estarão mais abastecendo o mercado chinês a partir do terceiro trimestre.

Concorrência Internacional

Enquanto isso, Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda possuem espaço em suas cotas, mas a capacidade de preenchê-las está em dúvida devido à disponibilidade limitada desses países para exportação.