O Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que foi prorrogado até dezembro de 2025, encerrou suas atividades com um panorama preocupante. Das 20 metas estabelecidas, a maioria não foi cumprida, o que resultou em um legado de desafios que o novo PNE 2026-2036 terá que enfrentar.
Avanços e retrocessos na educação
A proposta do PNE 2014-2024 visava guiar a educação brasileira em todos os níveis, desde a educação infantil até a pós-graduação. As metas incluíam a universalização do acesso e a valorização dos profissionais da educação. Contudo, a realidade demonstrou um grande descompasso entre o que foi planejado e o que foi efetivamente executado.
Metas não alcançadas
Dentre os principais objetivos que não foram atingidos, a universalização da pré-escola se destacou. Embora a meta fosse atender 100% das crianças de 4 e 5 anos, a realidade ficou aquém, especialmente nas creches, onde a intenção era matricular 50% das crianças até 3 anos. Esse índice não foi atingido em muitas localidades.
Outro ponto crítico foi a educação em tempo integral. O PNE previa que 25% dos alunos da educação básica estivessem em jornada integral, mas o avanço foi lento e desigual, resultando em números muito inferiores ao desejado, prejudicando a qualidade do aprendizado.
Desafios para a valorização docente
A valorização dos professores foi uma das metas mais sensíveis do PNE. A proposta era equiparar a remuneração dos educadores à de outros profissionais com formação similar, mas essa meta não foi cumprida, levando à desvalorização da carreira e à dificuldade em atrair novos talentos.
Financiamento educacional
A meta de investir 10% do PIB em educação pública também não foi alcançada. O nível de financiamento permaneceu abaixo do necessário, comprometendo a capacidade do governo de realizar melhorias significativas na infraestrutura e na qualidade do ensino.
Perspectivas para o novo PNE
A não realização das metas do PNE 2014-2024 ampliou as desigualdades sociais e educacionais no Brasil. A escassez de vagas em creches, por exemplo, afetou a inserção das mães no mercado de trabalho, enquanto a baixa remuneração dos professores impactou diretamente a qualidade do ensino. O novo PNE, sancionado em abril de 2026, estabelece 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias para o período 2026-2036, com foco em aprendizagem e equidade. Uma das principais mudanças inclui a meta de atingir 7,5% do PIB em investimentos em educação até 2033.
