Um recente estudo da Organização Europeia de Patentes (OEP) e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) destaca a importância das indústrias que utilizam patentes e marcas registradas para a economia da América Latina e do Caribe. Setores como automotivo, eletrônico e farmacêutico são os principais responsáveis por essa contribuição.
Impacto econômico das indústrias de patente
De acordo com a pesquisa, esses setores representam 13,6% do PIB da manufatura na região, gerando cerca de 1,6 milhão de empregos. No Brasil, as indústrias de manufatura intensivas em patentes correspondem a 16% do valor agregado, impactando mais de 750.000 postos de trabalho. Além disso, esses setores possuem níveis de produtividade superiores, resultando em salários médios 30% maiores.
Predominância do Brasil nos pedidos de patente
Entre 2016 e 2020, o Brasil registrou 45,6% dos pedidos de patente na América Latina e Caribe, reafirmando sua posição como a maior economia da região. O país continua a liderar tanto os depósitos originados quanto os destinados na área, respondendo por aproximadamente 60% do total de patentes na região.
Desafios estruturais na inovação
Embora o Brasil tenha um papel significativo, o estudo aponta que existem desafios estruturais que limitam a capacidade de maximizar os benefícios econômicos da inovação. O presidente da OEP, António Campinos, ressalta a necessidade de um ecossistema de inovação robusto, com melhor conexão entre universidades e indústrias e políticas públicas eficazes.
Dependência de tecnologias estrangeiras
A pesquisa também revela que a América Latina e o Caribe ainda são dependentes de tecnologias importadas. Apesar de as indústrias que utilizam propriedade industrial representarem apenas 9% das exportações, elas respondem por 19% das importações, com 15% dessas importações sendo de produtos patenteados. Mais de 85% dos pedidos de patente na região são feitos por requerentes estrangeiros.
Potencial para inovação local
O estudo indica que há um potencial significativo para inovação doméstica que ainda não foi totalmente explorado. Instituições públicas de pesquisa, como universidades e laboratórios, foram responsáveis por 29% dos pedidos de patente entre 2016 e 2020, destacando-se como fontes-chave de inovação para a indústria local.
Recomendações para melhorar a inovação
Para reduzir a dependência de tecnologias importadas, o estudo sugere que a região deve fortalecer a colaboração e a transferência de tecnologia entre países. A análise abrangeu a atividade manufatureira em nove países da América Latina e Caribe, enfatizando a necessidade de parcerias de inovação para explorar melhor a capacidade de inovação local.
