O Banco Central (BC) do Brasil está em processo de integração de novos serviços ao sistema Open Finance, com foco na portabilidade de salários e investimentos, segundo Matheus Rauber, chefe de subunidade da instituição. Durante um painel no evento Apix, realizado pela Sensedia em São Paulo, Rauber destacou a intenção de expandir continuamente os recursos disponíveis no sistema.

Desenvolvimento e monitoramento

Rauber enfatizou que a ampliação do Open Finance está diretamente ligada ao engajamento das instituições financeiras e ao monitoramento constante dos dados envolvidos. Essa interação é fundamental para garantir que o sistema funcione de maneira eficiente e segura.

Qualidade de dados como estratégia

Elcio Calefi, CIO da Associação Open Finance Brasil, abordou a evolução do acompanhamento de informações, que agora vai além da conformidade, sendo uma questão estratégica. Ele mencionou três dimensões principais: qualidade dos dados, governança operacional e controle de processos. Calefi acredita que focar nessas áreas permitirá que os participantes do Open Finance monitorem suas operações de forma mais eficaz, reduzindo custos e erros.

Jornada otimizada e integração

Outro tema discutido no painel foi a criação de uma jornada otimizada, que combina consentimento para iniciação de pagamentos e compartilhamento de dados, eliminando a necessidade de redirecionamentos entre aplicativos. Atualmente, essa nova funcionalidade está em fase de testes e deve ser concluída em junho. O piloto abrange serviços como limite de crédito e saldo disponível, marcando um avanço significativo na integração de produtos.

Casos práticos de utilização

O Nubank e o Sicredi são exemplos de instituições que já utilizam o Open Finance para oferecer serviços diferenciados. O Nubank, por exemplo, alerta seus clientes quando eles entram no cheque especial e indica onde possuem recursos para quitar suas dívidas, o que resultou em uma economia de R$ 22 milhões em juros. A função Depositar do Nubank movimentou R$ 6 bilhões em um ano.

Desafios para pessoas jurídicas

A inclusão de pessoas jurídicas no Open Finance é um dos maiores desafios enfrentados atualmente. Calefi apontou que ainda prevalece a percepção de que o sistema é voltado apenas para pessoas físicas. Para atrair o público PJ, é necessário simplificar a jornada de autorização, uma questão que está sob discussão e que o Banco Central considera prioritária.