A incidência de estelionatos na Justiça de São Paulo vem crescendo de forma alarmante, mais do que dobrando desde a introdução das plataformas de inteligência artificial generativa, que começaram a se popularizar no final de 2022. Um levantamento realizado pela plataforma Jusbrasil, a pedido da Folha, evidencia essa escalada nos números.

Impacto na Justiça e na Segurança

As fraudes, que abrangem crimes como os cometidos via Pix, são frequentemente referidas pela Polícia Federal como "cangaço digital". Em 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo registrou um aumento significativo nas decisões relacionadas ao estelionato, subindo de 1.073 para 2.270. Esse crescimento acompanha o aumento no número de boletins de ocorrência por fraudes bancárias.

Embora não se possa estabelecer uma relação direta entre a IA e esse crescimento, empresas de cibersegurança como Kaspersky e Crowdstrike observam indícios claros do uso dessa tecnologia em ações criminosas. Isso inclui um aumento na frequência de campanhas fraudulentas, a eliminação de erros ortográficos em mensagens e a utilização de deepfakes, que simulam vozes e imagens de indivíduos.

Fraudes e Novas Estratégias Criminosas

Os crimes relatados incluem tentativas de burlar o reconhecimento facial de aplicativos, clonar vozes e até realizar o chamado "golpe do amor", onde criminosos criam relacionamentos fictícios para extorquir dinheiro das vítimas. A Jusbrasil também indica um aumento nas ações judiciais referentes a esses crimes, mostrando que o problema está em ascensão.

Entretanto, muitos dos processos judiciais apresentam informações insuficientes. Entre as 8.338 decisões do TJ-SP em 2026 sobre estelionato, 3.786 não especificaram se a fraude ocorreu de forma virtual ou presencial. Apenas 3.621 casos foram identificados como eletrônicos, enquanto 931 foram presenciais.

Desafios na Investigação e na Responsabilização

O delegado da Polícia Civil do Piauí, Alessandro Barreto, aponta que muitas vítimas optam por buscar a responsabilidade dos bancos para recuperar valores, em vez de recorrer à polícia. Ele destaca que, apesar do aumento das operações contra crimes na internet, apenas uma pequena porcentagem dos casos resulta em investigações devido à dificuldade em obter informações.

Recentemente, uma nova lei foi sancionada para aumentar as penas para estelionato e fraudes online. Contudo, o Ministério da Justiça ainda carece de dados detalhados sobre a ocorrência desses crimes, refletindo uma lacuna que também é observada nos tribunais.

Exemplos de Golpes e Proteção

Entre os principais golpes identificados, estão o "golpe da mão fantasma", onde criminosos assumem o controle remoto do smartphone da vítima, e o "golpe do falso comprador", que induz vendedores a enviar produtos sem pagamento. A Justiça tem julgado esses casos, mas ainda há muitas incertezas sobre a responsabilidade das plataformas de venda.

Para se proteger de fraudes, é recomendado pesquisar a reputação do vendedor, desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado e manter registros de comunicações e pagamentos. Além disso, recomenda-se cautela em relação à urgência em fechar negócios e verificar a validade do CNPJ das empresas.