Na última sexta-feira, os Estados Unidos tomaram uma decisão surpreendente ao proibir o uso do modelo de inteligência artificial mais avançado da Anthropic por estrangeiros. Essa restrição é inédita e abrange não apenas cidadãos de outros países, mas também aqueles que residem nos EUA sem cidadania, incluindo funcionários da própria empresa.

Suspensão do acesso global

Com a dificuldade de identificar a nacionalidade de todos os usuários, a Anthropic optou por suspender o acesso ao seu modelo mais poderoso para todos, sem exceções. A medida gerou um impacto significativo e acendeu um alerta global sobre as implicações da soberania tecnológica.

A nova eletricidade da IA

As empresas de tecnologia frequentemente comparam a inteligência artificial à nova eletricidade, essencial para o desenvolvimento de diversas atividades. No entanto, a decisão dos EUA demonstrou que, ao contrário da eletricidade, a IA pode ser cortada a qualquer momento, levantando questões sobre a segurança de investimentos em tecnologias que podem ser restringidas.

Repercussão na China

A proibição dos EUA teve forte repercussão na China, onde a estratégia de desenvolvimento de modelos locais de IA foi reforçada. O termo “qiabozi”, que significa “estrangular o pescoço”, foi utilizado para descrever os riscos de depender de tecnologias americanas, ressaltando a necessidade de autossuficiência em inteligência artificial.

Quatro níveis de soberania digital

Para enfrentar as interferências geopolíticas, especialistas sugerem uma abordagem em quatro níveis para a soberania digital. Isso inclui controle local sobre dados, independência na cadeia de software, infraestrutura de hardware sob controle nacional e o desenvolvimento autônomo de tecnologia.

Desafios para o Brasil

O Brasil, que se inspirou na Europa para sua legislação sobre IA, ainda enfrenta desafios significativos em termos de soberania digital. Atualmente, 60% da carga digital nacional está hospedada em datacenters nos EUA, o que aumenta os riscos de dependência. O projeto “SoberanIA.ai”, desenvolvido no Piauí, é uma tentativa de criar uma solução local que possa atender às demandas do país.