No filme "Ainda Estou Aqui", uma cena marcante retrata Fernando Gasparian, interpretado por Charles Fricks, aconselhando seu amigo Rubens Paiva a deixar o Brasil, preocupado com a repressão crescente após o AI-5. Enquanto Paiva optou por permanecer, Gasparian se tornaria um símbolo da resistência contra a ditadura militar, agora revisitada na biografia "Um Homem Chamado Opinião", escrita por Márcio Pinheiro.
A História de um Líder Empresarial
Graduado em engenharia pelo Mackenzie, Gasparian se destacou como um líder no setor têxtil, especialmente à frente da América Fabril, a maior empresa de fiação e tecelagem do Brasil. Sua visão, descrita por seu filho Marcus, era a de um nacionalista com uma postura independente, que não se alinhava nem ao socialismo nem ao capitalismo.
Desafios Durante a Ditadura
A ascensão de Gasparian foi severamente afetada pela ditadura militar, especialmente após 1967, quando Delfim Netto assumiu o Ministério da Fazenda. Após enfrentar pressões, ele decidiu se mudar para Londres com sua família, onde se dedicou a dar aulas.
O Impacto do Jornal Opinião
Retornando ao Brasil em 1972, Gasparian tornou-se editor do jornal Opinião, fundado em novembro daquele ano. O periódico se destacou por sua abordagem sóbria e incisiva, desafiando a censura sem recorrer a deboches, ao contrário de outros veículos da época. Com a ajuda de um time de jornalistas renomados, como Paulo Francis e Sérgio Augusto, o jornal ganhou notoriedade.
Restrições e Censura
Ainda que as restrições iniciais fossem moderadas, em 1973 a situação se agravou após reportagens sobre a morte de Alexandre Vannucchi Leme. O governo militar exigiu que todos os textos fossem revisados pela Polícia Federal, levando Gasparian e sua equipe a enfrentar detenções temporárias.
Legado e Contribuições Finais
Após quatro anos de luta, o jornal foi forçado a encerrar suas atividades devido à crescente censura. Gasparian, no entanto, continuou sua trajetória no mundo editorial, lançando a revista Argumento e, posteriormente, a editora Paz e Terra. Ele também foi ativo na luta pelas Diretas e foi deputado constituinte pelo PMDB. Gasparian faleceu em 2006, mas seu legado e contribuição ao jornalismo brasileiro permanecem vivos, conforme ressalta o prefácio escrito por Marcelo Rubens Paiva, sobrinho de Rubens Paiva.
