A Ancord, associação que representa corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários, está solicitando que o Banco Central do Brasil intervenha nas operações de CFD (Contract for Difference) e Forex, que considera irregulares. O presidente da Ancord, Rafael Furlanetti, descreveu essas plataformas como um "tigrinho do mercado de capitais" em uma reunião recente com o presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Urgência na fiscalização

Durante a reunião, Furlanetti destacou que a situação atual é alarmante, com um aumento significativo no número de reclamações e denúncias relacionadas a essas operações. Ele enfatizou que a fiscalização se torna cada vez mais urgente diante desse cenário.

Propostas em elaboração

Para endereçar essa questão, a Ancord planeja formar um grupo de trabalho que irá elaborar um documento com propostas para regulamentar e fiscalizar essas operações. O material resultante será encaminhado para o Banco Central, o Ministério da Fazenda, a Receita Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A importância da ação coordenada

A Ancord, que representa 53 entidades e responde por cerca de 90% do volume negociado na bolsa de valores, defende que é necessário uma ação coordenada do governo para lidar com a expansão dessas plataformas de operações financeiras.

Entendendo CFD e Forex

O CFD é um contrato que permite que investidores especulem sobre a diferença de preço de um ativo entre o início e o fim da negociação. Já o Forex envolve a troca de pares de moedas, onde os investidores apostam na valorização ou desvalorização de uma moeda em relação a outra. Ambos os instrumentos são altamente voláteis e oferecem a possibilidade de operar com valores que superam o capital disponível, aumentando o risco associado.

Preocupações com o mercado

Embora as corretoras brasileiras não possam oferecer CFDs, investidores têm acesso a essas operações por meio de plataformas internacionais. Em entrevista, Furlanetti comentou que, atualmente, cerca de metade dos investidores no Brasil está envolvida em operações de Forex. Ele criticou a forma irresponsável como essas plataformas são apresentadas aos investidores locais, sem controles adequados, afirmando que a situação está "incontrolável".