O estado do Amazonas registrou, em 2025, um significativo aumento de 87 mil hectares na superfície de água, após enfrentar dois anos de seca intensa. Os dados foram divulgados pelo MapBiomas e mostram que o Amazonas teve o terceiro maior crescimento hídrico do Brasil, superado apenas por Pará e Goiás.

Dados sobre a superfície de água

O crescimento da superfície de água foi impulsionado pelo aumento das chuvas em comparação com o ano anterior. O Pará liderou o crescimento com 142 mil hectares, seguido por Goiás, que teve um acréscimo de 91 mil hectares de água. Essa superfície engloba áreas de rios, lagos e represas monitoradas pelo estudo.

Desigualdade na recuperação hídrica

Apesar do aumento geral, a recuperação hídrica não ocorreu de maneira uniforme em todo o bioma amazônico. Embora a superfície de água tenha superado em 2,6% a média histórica em 2025, 20 das 54 sub-bacias analisadas ainda apresentaram níveis abaixo desse padrão, evidenciando a desigualdade na recuperação.

Impacto das mudanças climáticas

Ives Brandão, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), destacou que a região possui uma vasta reserva de água, mas é afetada por fenômenos climáticos que alteram o regime dos rios. Ele alertou para a frequência crescente de eventos climáticos que podem resultar em secas mais severas.

Comunidades ribeirinhas afetadas

A instabilidade do regime hídrico impacta diretamente as comunidades ribeirinhas, muitas das quais estão situadas a até 50 quilômetros dos principais rios da Amazônia. Essas comunidades enfrentam desafios significativos devido à variação na disponibilidade de água.

Perdas em municípios específicos

Embora o estado tenha registrado um aumento geral, alguns municípios, como Barcelos, enfrentaram perdas significativas. Barcelos teve uma redução de 65 mil hectares de superfície de água, representando uma queda superior a 6%. No Brasil, 45% dos municípios, correspondendo a 2.511 cidades, também registraram níveis de água abaixo da média histórica.

Visão geral da superfície hídrica no Brasil

O estudo concluiu que o Brasil terminou 2025 com 18,2 milhões de hectares de superfície de água, um aumento de 5,3% em relação aos 17,2 milhões de hectares de 2024. No entanto, esse número ainda está abaixo da média histórica nacional, que é de 18,5 milhões de hectares. Além disso, a análise histórica indica uma redução contínua da superfície de água no país desde 1985.