O Brasil se prepara para enfrentar o Haiti na segunda rodada da Copa do Mundo, mas o adversário caribenho enfrenta uma realidade muito mais complexa fora dos campos. Com sete anos consecutivos de recessão e uma inflação de 21%, o Haiti é considerado o país mais pobre das Américas, com 5,7 milhões de pessoas vivendo em insegurança alimentar.

Fatores Históricos e Econômicos

Segundo Cláudio dos Santos, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a situação econômica do Haiti é resultado de diversos fatores que se acumulam ao longo dos séculos. Desde a colonização até a instabilidade política crônica, o país enfrenta desafios que dificultam seu desenvolvimento.

A independência do Haiti, proclamada em 1804 após uma revolta contra a colonização francesa, trouxe um alto custo financeiro. A França exigiu uma indenização exorbitante que quebrou o país, forçando-o a contrair dívidas que perduram até hoje. A instabilidade política, marcada por regimes autoritários como o da família Duvalier, contribuiu para a deterioração das condições econômicas.

Desastres Naturais e Crise Política

O Haiti também foi severamente impactado por desastres naturais, como o terremoto devastador de 2010, que resultou em mais de 222 mil mortes e deixou milhões desabrigados. A crise política se agravou com o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021, aprofundando a instabilidade institucional.

Dados Econômicos Alarmantes

Atualmente, o Produto Interno Bruto (PIB) do Haiti é de apenas US$ 39,18 bilhões, comparado a US$ 2,6 trilhões do Brasil. O PIB per capita é de apenas US$ 3.000, enquanto o brasileiro é de US$ 12,3 mil. O IHSI informa que o país enfrenta seu sétimo ano de recessão e que a inflação chegou a 21% em abril deste ano.

A Agricultura e o Impacto das Gangues

A economia haitiana é fortemente dependente da agricultura, que representa 14,4% do PIB, mas tem enfrentado queda constante. A produção de milho caiu 29%, e a falta de investimento, somada a revoltas e eventos climáticos, prejudica ainda mais o setor. Além disso, gangues criminosas controlam grande parte do território, dificultando o transporte de mercadorias e aumentando os custos operacionais para as empresas.

Remessas e Desafios Futuros

As remessas de haitianos que vivem no exterior são uma fonte crucial de renda, com um crescimento de 19,6% em 2025, totalizando US$ 4,91 bilhões. Para o professor Santos, o principal desafio do Haiti é restaurar a segurança e a autoridade do Estado, essenciais para atrair investimentos e promover a recuperação econômica. A superação dessa crise dependerá tanto de reformas internas quanto do apoio da comunidade internacional.