No último dia 12 de junho, foi inaugurado o viaduto Maria da Conceição da Silva, localizado na interseção das avenidas Saramenha e Cristiano Machado, na Região Norte de Belo Horizonte. A estrutura, que atraiu a atenção de motoristas locais, apresenta uma peculiaridade: apenas uma faixa de saída na pista da Avenida Cristiano Machado.

Objetivo da Obra

De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), essa obra foi planejada para substituir um semáforo que dificultava o fluxo de veículos. A expectativa é que o viaduto melhore a circulação na Avenida Cristiano Machado, mantendo o acesso da Saramenha ao Centro da cidade.

Estudos de tráfego realizados pela Sudecap indicaram que uma única faixa seria suficiente para atender à demanda esperada. Por conta disso, o projeto inclui duas faixas apenas na aproximação, que se convergem em uma ao longo do viaduto. Essa escolha, segundo a pasta, visa preservar a eficiência operacional da via e reduzir a necessidade de desapropriações.

Investimento e Expectativas

O viaduto recebeu um investimento de aproximadamente R$ 33,2 milhões, com recursos do município e da Corporação Andina de Fomento (CAF), valor considerado comum para esse tipo de projeto. A nova estrutura permitirá um acesso mais seguro à Avenida Cristiano Machado para veículos que vêm da região, eliminando a necessidade de cruzar o fluxo intenso da via.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) acredita que essa mudança vai contribuir para a redução dos congestionamentos frequentes no local, uma vez que elimina cruzamentos entre as vias. Além disso, uma alça de retorno foi projetada para facilitar o fluxo nos dois sentidos. Agentes da BHTrans estão monitorando a nova estrutura diariamente para avaliar a segurança e a necessidade de ajustes na sinalização.

Críticas de Especialistas

No entanto, especialistas têm levantado preocupações sobre o projeto, especialmente em relação ao afunilamento da pista na curva do viaduto, o que poderia comprometer tanto a segurança quanto a fluidez do trânsito. O engenheiro civil Fabrício Rossi alerta que a redução da pista na descida pode aumentar o risco de acidentes e causar retenções desnecessárias.

Rossi argumenta que, se o objetivo é evitar retenções, seria mais lógico implementar essa medida já na pista da Cristiano Machado, e não sobre o viaduto. Ele sugere que, considerando que a estrutura permanecerá por muitos anos, o projeto deve ser cuidadosamente planejado, levando em conta não apenas a demanda atual, mas também a futura, visto que o número de veículos tende a crescer com o tempo.

Possíveis Melhorias

O engenheiro propõe que a utilização do canteiro central ou desapropriações simples poderiam permitir a manutenção de duas faixas, resultando em um custo adicional insignificante em comparação ao investimento total. Ele também destaca que, se o viaduto tivesse sido projetado para ser um pouco mais largo, o tempo de construção não teria sido significativamente alterado.