A grama sintética tem se tornado cada vez mais comum em campos esportivos, escolas e áreas de lazer, principalmente por sua praticidade. Contudo, o aumento desse uso trouxe à tona questões sobre os possíveis impactos à saúde e ao meio ambiente.
Preocupações com a composição do enchimento
De acordo com informações do LiveScience, a maior parte do debate gira em torno do enchimento feito a partir de pneus triturados, que compõem a maioria dos gramados sintéticos modernos. Esses materiais, embora melhorem a absorção de impacto e tração, também concentram uma série de substâncias químicas.
Rachel Massey, pesquisadora de saúde ambiental da Universidade de Massachusetts Lowell, alerta que esses grânulos criaram uma situação de exposição sem precedentes. Nos Estados Unidos, mais de 95% dos aproximadamente 18 a 19 mil campos de grama sintética utilizam esse tipo de enchimento, levantando preocupações sobre a quantidade de substâncias tóxicas a que atletas e frequentadores estão expostos.
Substâncias químicas em destaque
Entre os compostos que têm gerado maior atenção estão o chumbo, cádmio, manganês, zinco, benzeno, que está associado a diferentes tipos de leucemia, e tolueno, considerado tóxico para o sistema nervoso. Além disso, o negro de fumo e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que são relacionados ao câncer em estudos com animais, também estão presentes.
Microplásticos: uma nova preocupação
Além dos produtos químicos, os microplásticos emergiram como um tema de preocupação nas pesquisas recentes. Um relatório da União Europeia classificou o enchimento de gramados sintéticos como a maior fonte de microplásticos intencionalmente adicionados ao meio ambiente. Em resposta, a UE anunciou a proibição da venda de produtos que contenham essas partículas a partir de 2031.
Essas pequenas partículas podem entrar no organismo de diversas maneiras, seja por inalação, contato com a pele ou ingestão acidental, e estudos iniciais sugerem possíveis relações com problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e asma. No entanto, os especialistas ressaltam que ainda existem muitas incertezas sobre os efeitos dessa exposição.
Estudo da Califórnia e suas conclusões
Para investigar os impactos potenciais, o Escritório de Avaliação de Riscos à Saúde Ambiental da Califórnia conduziu um estudo com jogadores, árbitros e espectadores. Os pesquisadores analisaram o comportamento em campo e utilizaram fluidos corporais sintéticos para medir a presença de compostos liberados pelo enchimento.
Jocelyn Claude, uma das toxicologistas envolvidas, afirmou que o estudo não encontrou “riscos agudos”, ou seja, problemas imediatos resultantes de exposições curtas. Além disso, as conclusões sobre riscos de longo prazo, como câncer, foram consideradas insignificantes. Entretanto, a comunidade científica ainda discute a necessidade de avaliações mais diretas, que analisem pessoas expostas ao material.
O futuro da grama sintética
Enquanto o debate sobre a segurança da grama sintética continua, cientistas e empresas estão buscando alternativas, como o desenvolvimento de grama híbrida e variedades naturais que sejam mais resistentes. O desafio consiste em encontrar opções que mantenham a praticidade dos gramados sintéticos, mas que não ampliem as preocupações já levantadas pelos estudos atuais.
