Um estudo recente do IBGE, através da Pnad Contínua, revelou que um terço das crianças brasileiras entre 2 e 3 anos não frequenta creche devido à falta de vagas. Os dados foram divulgados na última sexta-feira (19) e mostram que, apesar da frequência na creche não ser obrigatória, o Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu como meta que ao menos 50% das crianças de 0 a 3 anos estivessem matriculadas até 2024.

Taxas de Matricula e Avanços

No ano passado, apenas 41,7% das crianças nessa faixa etária estavam frequentando creches. Embora o Brasil ainda esteja distante de atingir essa meta, a pesquisa indica que houve um progresso significativo na última década, já que em 2016 apenas 30,3% estavam matriculadas.

Os dados variam conforme a idade. Entre as crianças com menos de dois anos, apenas 17,6% estavam matriculadas em creches, o que representa cerca de 800 mil bebês de um total de 4,6 milhões. Por outro lado, a cobertura para crianças de 2 e 3 anos é mais alta, com 62,9% matriculadas, comparado a 49,1% em 2016.

Motivos para Não Frequência

Dos 1,9 milhão de crianças dessa faixa etária que não frequentavam creche em 2025, 33,4% não estavam matriculadas devido à falta de vagas. Além disso, 57,1% estavam fora da escola por opção dos pais. A pesquisa destaca que a carência de vagas em creches é um dos maiores obstáculos à educação infantil no Brasil.

William Kratochwill, pesquisador do IBGE, comenta que há uma escolha de alguns pais em não matricular seus filhos mais novos, mas também existe uma grande demanda por vagas que não está sendo atendida. O desafio da falta de creches adequadas precisa ser enfrentado com urgência.

Desigualdades Regionais

As taxas de escolarização variam bastante entre as regiões do país. Nenhuma das cinco regiões alcançou a meta de 50% de matrícula. As taxas são de 23,9% no Norte, 38,8% no Nordeste, 35,6% no Centro-Oeste, 47,8% no Sudeste e 47,9% no Sul.

Pré-Escola e Futuras Metas

Na pré-escola, que atende crianças de 4 e 5 anos e cuja frequência é obrigatória, a taxa de escolarização alcançou 94,9% em 2025. Embora essa taxa seja considerada alta, ainda está abaixo da universalização que deveria ter sido atingida, conforme o PNE, que previa 100% de cobertura até 2016. Um novo PNE foi aprovado, com a ambição de aumentar a cobertura para 60% até 2034.