No atual contexto econômico brasileiro, caracterizado por taxas de juros elevadas e um aumento nas recuperações judiciais, o investimento em crédito privado apresenta desafios significativos. No entanto, Marcelo Urbano, gestor de crédito da XP Asset, acredita que ainda existem oportunidades a serem exploradas, especialmente no campo dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
Oportunidades em um Cenário Difícil
Durante a edição 189 do programa Outliers InfoMoney, Marcelo Urbano discutiu como identificar boas oportunidades de investimento em meio a um cenário de juros altos. Ele ressalta que, embora os riscos sejam elevados, os FIDCs podem ser uma alternativa viável para quem busca retorno no crédito estruturado, desde que haja atenção às questões de liquidez e garantias.
Urbano, que possui mais de 30 anos de experiência, explica que a compressão dos spreads do crédito high grade faz com que a diferença entre emissores de qualidade e aqueles de qualidade mediana diminua, tornando essencial uma análise cuidadosa antes de investir.
Riscos Associados aos FIDCs
Um dos principais riscos destacados pelo gestor é a ilusão de liquidez que alguns investidores podem ter em relação aos FIDCs. Urbano alerta que, à medida que os fundos começam a acumular FIDCs para sustentar o carrego, a liquidez pode se tornar um problema.
Outro ponto crítico é a simplificação na análise dos ativos, onde indicadores como PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) podem levar a interpretações equivocadas. Ele exemplifica que, em fundos de consignado privado, um ativo pode levar meses para entrar em atraso, criando uma falsa impressão de segurança.
Investindo com Segurança
Para garantir um investimento seguro, Urbano recomenda que os investidores avaliem a capacidade de pagamento das empresas. O fluxo de caixa deve ser a base para essa análise, considerando diferentes cenários de pagamento e a possibilidade de venda de garantias em casos de necessidade.
Setores em Alta
Apesar dos riscos, Urbano identifica três setores com potencial para alocação de recursos: primeiro, a infraestrutura, especialmente em sistemas de armazenamento de energia; segundo, o fretamento marítimo voltado para o setor de óleo e gás, com a Petrobras como contraparte; e terceiro, carteiras de recebíveis pulverizados, que permitem uma mensuração precisa das perdas.
Com uma abordagem estratégica e cuidadosa, é possível navegar pelo mercado de FIDCs e encontrar oportunidades mesmo em tempos de incerteza econômica.
