A transição energética global enfrenta um momento crítico, conforme apontou o relatório mais recente do Fórum Econômico Mundial, divulgado na quinta-feira (18). O estudo revela que o nível de preparo para implementar energia limpa caiu 0,76% de 2025 para 2026, representando a maior diminuição em mais de dez anos.

Índice de Transição Energética

O Índice de Transição Energética (ETI), elaborado em conjunto com a consultoria Accenture, avaliou 120 países com base em 44 indicadores, resultando em uma pontuação média global de 57,3 pontos. Este número reflete um avanço diminuto de apenas 0,03% em relação ao ano anterior, indicando uma estagnação alarmante no desenvolvimento de fontes renováveis.

De acordo com o relatório, a desaceleração do progresso se deve a uma combinação de riscos de segurança, restrições financeiras e gargalos na infraestrutura. O ETI é dividido em dois subíndices: o desempenho dos sistemas, que representa 60% da nota final, e o preparo para a transição energética, que contribui com os restantes 40%.

Desempenho e Preparo

O subíndice de desempenho teve um pequeno aumento de 0,43%, mas o preparo para a transição energética enfrentou uma queda significativa. Essa redução foi impulsionada por fatores como finanças e compromissos regulatórios, que registraram as piores perdas em 2026. O relatório destaca que, enquanto o desempenho melhora, a trajetória de preparo se tornou negativa.

Os dados mostram que, em 2025 e 2024, o preparo havia crescido mais de 2%. A inversão dessa tendência evidencia uma erosão nas condições necessárias para impulsionar a mudança para energias renováveis. O subindicador financeiro, por exemplo, caiu 1,8%, apesar de um investimento recorde de US$ 2,3 trilhões em energia limpa no ano anterior.

Desafios e Oportunidades

O relatório também observa que, embora o volume de capital disponível seja elevado, as condições que determinam onde e a que custo esse capital é aplicado ainda são problemáticas. A maioria dos investimentos em energia limpa continua concentrada em poucas economias, enquanto países que podem gerar 80% do crescimento futuro da demanda por eletricidade enfrentam custos de financiamento muito mais altos.

Além disso, o compromisso político com a transição energética caiu 1,2%, especialmente em economias desenvolvidas como Estados Unidos e Reino Unido, que viram uma diminuição em suas políticas públicas. Em contrapartida, países como a Índia aumentaram o suporte à transição, impulsionados por preocupações com segurança energética.

Prioridades para o Futuro

Para reverter essa tendência, o relatório sugere três prioridades: integrar segurança e resiliência nos sistemas energéticos desde o início dos projetos, acelerar a expansão da rede elétrica e restaurar a atratividade dos investimentos por meio de regulamentações estáveis.

O estudo aponta que a Suécia continua na liderança do ETI, seguida por Finlândia, Dinamarca, Estônia e Noruega. O Brasil, por sua vez, ocupa a 17ª posição global, com 66,4 pontos, sendo o líder na América Latina, superando os Estados Unidos, mas atrás de países como China e Reino Unido.