As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) no Brasil fecharam a quarta-feira, dia 17 de junho, com elevações significativas, superiores a 15 pontos-base em diversos vencimentos. Esse movimento ocorreu após o Federal Reserve (Fed) sinalizar que poderá aumentar os juros nos Estados Unidos ainda em 2026.

Expectativas para o Copom

Com essa nova postura, o mercado começou a precificar uma chance, mesmo que reduzida, de um aumento na taxa Selic brasileira em agosto. Na noite de ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá para anunciar sua decisão sobre a Selic, que atualmente está em 14,50% ao ano.

No fechamento do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,58%, apresentando uma alta de 15 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,428%. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 subiu 19 pontos-base, alcançando 14,39%, ante a marca de 14,196% do dia anterior.

Impacto do Fed nos mercados

Antes do anúncio do Fed, a curva brasileira exibiu leves quedas, mas logo se reverteu após a expectativa de manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Entretanto, os membros do Fed indicaram que a elevação da taxa é uma possibilidade para este ano.

Essa perspectiva de juros mais altos nos EUA elevou os rendimentos dos Treasuries e fortaleceu o dólar em relação a outras moedas, refletindo também no mercado brasileiro. Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, essa mudança no cenário americano torna a situação brasileira mais desafiadora.

Projeções do Copom

A taxa do DI para janeiro de 2028, que havia atingido uma mínima de 14,385%, subiu para 14,585% após o anúncio do Fed. A curva de juros passou a indicar mais de 20% de probabilidade de um aumento da Selic na reunião do Copom em agosto.

Antes da decisão do Copom, o mercado ainda apostava majoritariamente em um corte de 25 pontos-base na Selic, embora houvesse alguma chance de manutenção da taxa. Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, ressaltou que a sinalização do Fed aumenta a complexidade para o Copom, que deve decidir se corta a Selic em um cenário de pressão cambial.

Dados econômicos recentes

Além das expectativas sobre juros, o Banco Central divulgou que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) subiu 0,5% em abril em comparação ao mês anterior, um resultado abaixo do esperado, que era de 0,6%. Analisando os dados em uma base anual, o IBC-Br teve um crescimento de 0,9%, enquanto no acumulado em 12 meses o avanço foi de 1,6%.