O Brasil está atento ao avanço de tecnologias de inteligência artificial que visam identificar vulnerabilidades em sistemas e redes, mas não se considera vulnerável a essas ameaças. Essa afirmação é de Danielle Ayres, diretora de segurança da informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência.
Desafios Tecnológicos
Segundo Ayres, o principal desafio é acompanhar a rapidez das transformações tecnológicas, que demandam uma atualização contínua dos mecanismos de defesa. "Precisamos estar sempre atentos", declarou a diretora em entrevista à Folha.
A startup Anthropic gerou preocupações globais ao anunciar um modelo de IA, o Claude Mythos, que poderia explorar falhas de segurança rapidamente. O governo dos EUA chegou a discutir restrições ao modelo, que foi retirado do ar por ordem da Casa Branca.
Incógnitas e Preparação
Ayres destacou que o Brasil ainda não tem um conhecimento aprofundado sobre o Mythos, o que dificulta a defesa contra uma ferramenta desconhecida. "Estudamos outros modelos e estamos preparados, mas a falta de acesso ao Mythos limita nossa capacidade de defesa", afirmou.
Ela ressaltou que não se deve acreditar cegamente nas alegações da Anthropic. "O avanço tecnológico abre espaço para que isso aconteça", disse, defendendo que seria interessante se o modelo fosse compartilhado para que todos pudessem entender suas vulnerabilidades.
Fortalecimento da Segurança
Apesar das incertezas, Ayres acredita que a posição do Brasil em cibersegurança é sólida. Ela afirmou que o país não é frágil e que, assim como outros países, está em constante aprimoramento. "O ecossistema protetivo é muito bom", garantiu.
O GSI também planeja implementar uma linha de crédito no BNDES para apoiar pequenas e médias empresas em investimentos em cibersegurança, visando aumentar a proteção em toda a cadeia produtiva.
Inovação Nacional
Ayres enfatizou a importância de desenvolver alternativas nacionais às tecnologias estrangeiras, especialmente em IA. "As ferramentas devem pensar como nós, em português", declarou, reforçando que o foco não é competir com grandes produtores internacionais, mas oferecer soluções que atendam à cultura e às necessidades brasileiras.
Além disso, a diretora mencionou que o GSI trabalha para garantir a segurança de serviços governamentais, como o portal Gov.br, que é considerado um dos melhores sistemas públicos do mundo.
