O tabagismo no Brasil, após mais de dez anos de declínio, voltou a crescer. Conforme dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, o número de fumantes aumentou em cerca de 25% em termos relativos, o que representa uma mudança significativa no cenário do país. Essa alteração é atribuída, em parte, à diversificação de produtos de nicotina promovida pelas grandes empresas do setor, que agora concentram esforços em atrair o público jovem.

Novos produtos e suas características

Além dos tradicionais cigarros, a indústria tem investido em alternativas como cigarros eletrônicos, que já são populares entre adolescentes e jovens adultos, e os sachês de nicotina. Estes últimos, pequenos saquinhos que são colocados entre a gengiva e o lábio, liberam nicotina diretamente na mucosa oral, criando um novo método de consumo. De acordo com o pneumologista Paulo Corrêa, especialista da ONG ACT Promoção da Saúde, essa estratégia é impulsionada por marketing agressivo e pela influência das redes sociais, visando aumentar a dependência química dos jovens.

Os riscos dos sachês de nicotina

Os sachês, conhecidos como 'nicotine pouches', foram introduzidos no mercado em 2018 e frequentemente vêm em embalagens atraentes, com sabores que facilitam o consumo. Segundo Corrêa, esses produtos podem conter de 4 a 18 miligramas de nicotina, enquanto um cigarro convencional tem apenas um miligrama. Essa alta concentração pode levar à dependência rápida dos jovens.

Influência do marketing e redes sociais

A indústria tabagista tem utilizado estratégias específicas para atrair o público jovem, como a utilização de influenciadores digitais e a promoção de um sentimento de pertencimento a grupos sociais. A combinação de pressões sociais e a busca por prazer imediato tornam os jovens mais vulneráveis ao uso de produtos que causam dependência.

Preocupações com a saúde

Todos os produtos contendo nicotina têm potencial de causar dependência, e os mais novos foram projetados para aumentar ainda mais a entrega da substância ao organismo. Além da dependência, a nicotina pode ter efeitos adversos no sistema cardiovascular e estar associada ao desenvolvimento de câncer, questões que estão sendo estudadas mais profundamente.

Regulamentação e recomendações

Em relação à regulamentação, a Anvisa já proibiu a venda de produtos como cigarros eletrônicos e tabacos aquecidos no Brasil. Corrêa destaca que os custos sociais e de saúde com o tabagismo superam os impostos arrecadados sobre esses produtos. Ele orienta os jovens a serem críticos em relação às mensagens da indústria e recomenda que pais e responsáveis supervisionem o conteúdo consumido, alertando sobre os riscos do consumo de nicotina.