As contas do setor público brasileiro encerraram o mês de abril com um superávit primário de R$ 24,6 bilhões, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (29). Este resultado indica que as receitas do governo superaram suas despesas, excluindo os juros da dívida pública.

Comparação Anual

Quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, houve uma melhora significativa, já que em abril de 2025, o saldo positivo foi de R$ 14,2 bilhões. O desempenho positivo em abril deste ano pode ser atribuído ao resultado do governo federal, que registrou um superávit de R$ 26,1 bilhões, enquanto estados e municípios contribuíram com um saldo de R$ 330 milhões. Em contrapartida, as empresas estatais apresentaram um déficit de R$ 1,78 bilhão.

Resultados Acumulados

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, as contas públicas mostraram um superávit primário de R$ 31,2 bilhões, representando 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB). Em contraste, no mesmo período do ano passado, o saldo positivo foi de R$ 102,8 bilhões, correspondendo a 2,5% do PIB, revelando uma deterioração nas contas públicas.

Expectativas para 2023

Para o ano em curso, o governo estabeleceu uma meta de superávit fiscal equivalente a -0,25% do PIB, o que se traduz em um déficit de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central, permitindo que um saldo zero também seja considerado como cumprimento.

Impacto dos Juros

Quando os juros da dívida pública são considerados, o resultado nominal das contas do setor público revela um déficit de R$ 60,1 bilhões em abril. No acumulado de 12 meses até abril, o déficit totalizou R$ 1,22 trilhão, equivalente a 9,4% do PIB, um indicador que é monitorado pelas agências de classificação de risco.

Crescimento da Dívida Pública

Apesar do superávit, a dívida do setor público consolidado subiu para 80,4% do PIB, alcançando R$ 10,44 trilhões, o maior nível desde junho de 2021. Nos últimos três anos sob a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida aumentou 8,7 pontos percentuais. O aumento é atribuído a gastos altos e despesas com juros, que totalizaram R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses.

Desafios Futuros

Para conter o crescimento da dívida, o governo implementou novas regras fiscais em 2023, limitando o crescimento das despesas a 70% do aumento da arrecadação, com um aumento real máximo de 2,5% ao ano. Especialistas alertam que, sem um corte significativo de despesas, essas novas regras podem não ser sustentáveis no futuro.