No atual cenário digital, os dados gerados pelo Estado brasileiro se tornaram ativos essenciais. Diante do avanço da inteligência artificial e da digitalização dos serviços, o Brasil está desenvolvendo uma estratégia para garantir a proteção e a autonomia no uso de suas informações.

Estratégia Governamental em Foco

O governo federal tem adotado uma abordagem baseada em três pilares: soberania dos dados, soberania operacional e soberania tecnológica. Essas iniciativas visam assegurar que serviços críticos e informações estratégicas sejam geridos de forma a permanecer sob controle brasileiro, promovendo ao mesmo tempo inovação e parceria com o setor privado.

Transformação Digital e Governança

Rogério Mascarenhas, secretário de Governo Digital, enfatiza que a transformação digital está diretamente ligada à organização e integração dos dados públicos. Para Mascarenhas, a implementação da inteligência artificial na administração pública exige um tratamento adequado das informações, superando a fragmentação de dados entre diferentes órgãos.

Modelo de Nuvem de Governo

A proposta de uma Nuvem de Governo, que será central na infraestrutura digital, considera a criticidade das informações. Dados ultrassecretos e sensíveis exigem ambientes de controle rigoroso, enquanto informações públicas podem ter um tratamento diferente, sempre sob diretrizes do Estado.

Capacidade Operacional e Soberania

Wilton Mota, presidente do Serpro, reforça que a soberania digital vai além do armazenamento. É necessário que o Brasil tenha a capacidade de operar sua infraestrutura, atualizando e protegendo sistemas essenciais. Mota destacou a importância de centros de dados e a experiência do Serpro na gestão de informações críticos.

Desenvolvimento de Tecnologias Nacionais

Além da gestão de dados, Mota defende a necessidade de desenvolver tecnologias críticas nacionalmente. Com a aceleração da produção de softwares, é crucial garantir que novas tecnologias sejam testadas e validadas para evitar riscos em aplicações governamentais.

Integração e Autonomia no Mercado

A soberania não implica em isolamento do mercado internacional, mas sim em ter a capacidade de escolha e decisão sobre as tecnologias a serem adotadas. Assim, o Brasil busca fortalecer suas capacidades enquanto mantém a interoperabilidade com soluções globais, diminuindo dependências externas.