Roubo e tráfico de drogas foram responsáveis por mais da metade das internações de adolescentes no sistema socioeducativo brasileiro em 2025. De acordo com o Levantamento Nacional do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), divulgado pelo governo federal na última terça-feira (23), os dois crimes juntos responderam por 57% dos registros, sendo 29,1% relacionados a roubo e 27,9% a tráfico de drogas. Nenhum outro ato infracional ultrapassou a marca de 10% do total.

O Sinase é vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e funciona como principal referência nacional para o acompanhamento de jovens em cumprimento de medidas socioeducativas.

Mais de 12 mil adolescentes no sistema

O estudo registrou 12.203 adolescentes cumprindo medidas de restrição e privação de liberdade no mês de referência, agosto de 2025, considerando 26 unidades da federação. Minas Gerais não encaminhou seus números ao governo federal e, por isso, ficou de fora do levantamento. Na prática, isso indica que o total real de jovens em medidas socioeducativas no país é ainda maior do que o apontado.

Um padrão que se repete há três anos

As infrações mais frequentes entre os adolescentes se mantêm constantes por três anos consecutivos. Os levantamentos de 2023, 2024 e 2025 mostram que a maior parte dos atos infracionais está ligada à obtenção de renda. O homicídio aparece na terceira posição, com 9,8% dos casos registrados em 2025.

Casos registrados em 25 estados e no Distrito Federal

Confira a distribuição completa dos atos infracionais contabilizados pelo levantamento: roubo, com 3.885 registros; tráfico de drogas, com 3.735; homicídio, com 1.310; outros, com 693; furto, com 677; tentativa de homicídio, com 480; estupro, com 373; porte ou posse ilegal de arma de fogo, com 345; ameaça, com 317; e lesão corporal, com 271 casos.

A lista segue com receptação, com 216 registros; latrocínio, com 179; associação para a prática dos crimes da lei de drogas, com 148; associação para organização criminosa, com 114; tentativa de roubo, com 98; dano, com 91; tentativa de latrocínio, com 77; violência doméstica, também com 77; tortura, com 63; e outros crimes sexuais, com 52. Completam o levantamento adulteração de sinal identificador de veículo, com 47 casos; resistência, com 46; registros sem informação, com 31; feminicídio, com 20; ocultação de cadáver, com 19; e tentativa de furto, com 3 ocorrências.

Aumento em relação a 2024

Mesmo sem os dados de Minas Gerais, o estudo revela que 20 dos 34 atos infracionais mapeados já superam os números registrados em 2024. É o caso da tentativa de homicídio, que teve 131 casos a mais na comparação anual, do furto, com 59 ocorrências a mais, e do dano, com um acréscimo de 45 registros. Os resultados reforçam a tendência de crescimento de parte das infrações ligadas aos jovens em medidas socioeducativas no país.