A ciclovia da Avenida Afonso Pena, localizada no hipercentro de Belo Horizonte, começou a ser removida neste domingo (14/6), após o anúncio feito pelo prefeito Álvaro Damião de sua desmobilização. As equipes da Prefeitura já estavam trabalhando na retirada da estrutura, com blocos de concreto quebrados visíveis na via.

Reações da população

A decisão gerou reações opostas entre moradores, comerciantes e ciclistas. A ciclista Patrícia Nogueira Fonseca, usuária frequente da ciclovia, criticou a retirada e questionou os recursos públicos gastos na obra. Para ela, a ciclovia representava um aumento na segurança para os ciclistas, que agora se verão expostos ao trânsito intenso da avenida.

Roger Damião da Silva, um jornaleiro da área, também lamentou a remoção, afirmando que a presença dos ciclistas ajudava a movimentar o comércio local. Ele destacou que a presença de ciclistas na região estimulava as vendas de sua banca, que atendia a esses clientes.

A visão dos moradores

Por outro lado, o morador Rafael Garofolo acredita que ciclovias são fundamentais para a mobilidade urbana e a redução da poluição, mas concorda que a ciclovia da Afonso Pena não era amplamente utilizada. Segundo ele, o espaço era mal sinalizado e raramente via pessoas utilizando bicicletas, observando mais frequentadores correndo.

Enquanto a retirada avança, o ciclista Cristiano Scarpelli protocolou um pedido de liminar para tentar impedir a remoção, alegando que a ciclovia está prevista em lei e que sua retirada deve ser avaliada pelo Judiciário. Ele expressou sua indignação com a falta de autorização judicial para a desmobilização.

Decisão do prefeito

O prefeito Álvaro Damião anunciou a desinstalação da ciclovia através de um vídeo em suas redes sociais, afirmando que a decisão foi esperada por parte da população. Ele mencionou que, embora a ciclovia esteja sendo retirada, pretende aumentar o número de ciclovias na cidade, mas não em vias principais como a Afonso Pena.

Questões judiciais

Até o momento, a Prefeitura não divulgou informações sobre o cronograma da desmobilização ou sobre a situação judicial relacionada à retirada da ciclovia. A Justiça já havia permitido a execução da obra anteriormente, mas não se encontrou evidência de uma autorização recente específica para a remoção.

Entenda a polêmica

A ciclovia foi implantada em 2023, com um investimento de R$ 24,8 milhões, mas enfrentou resistência e processos judiciais que questionavam sua legalidade. O Ministério Público chegou a solicitar a paralisação das obras, alegando a necessidade de licenciamento adequado. A situação continua em debate, com a população dividida sobre os benefícios e desvantagens da ciclovia.