Nesta quarta-feira (10), o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos apresentou a maior taxa acumulada desde 2023, elevando os rendimentos dos títulos americanos. Esse cenário de juros elevados vem se consolidando como o novo normal após a pandemia, representando uma oportunidade única para investidores.
Expectativas para Juros
Segundo Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o mercado já prevê mais dois aumentos nas taxas de juros até 2026. Andressa Durão, economista do ASA, acredita que o Federal Reserve deve manter a taxa inalterada durante o ano, mas com riscos crescentes de alta devido à inflação em serviços, mesmo sem a influência da guerra.
Aperto Monetário Global
Na Europa, a situação não é diferente. O Banco Central Europeu (BCE) deve elevar as taxas na zona do euro, enquanto o Japão também planeja um aperto monetário na próxima semana. Esse movimento global reforça a ideia de que a renda fixa está se tornando cada vez mais atraente.
Oportunidades em Títulos
Especialistas apontam que os títulos americanos, soberanos europeus e dívidas de mercados emergentes têm se mostrado boas opções de investimento. Caio Zylbersztajn, da Nord Investimentos, enfatiza a segurança dos títulos do Tesouro americano e dos mortgage-backed securities, ressaltando que o dólar oferece um equilíbrio mais seguro em um portfólio que já possui exposição ao real.
Mercados Emergentes e Corporativos
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, sugere aos investidores que considerem economias desenvolvidas, especialmente na Europa, onde os mercados financeiros são mais robustos. Para Paulo Monteiro, da Gravus Capital, as melhores oportunidades estão na dívida de mercados emergentes, mas recomenda o uso de ETFs para evitar custos altos e baixa liquidez na compra direta de papéis.
Estratégias de Proteção Cambial
Sobre a proteção cambial, os especialistas concordam que, na maioria dos casos, não vale a pena. Perri observa que diversificar internacionalmente ajuda a reduzir a exposição à moeda brasileira. Monteiro acrescenta que os custos de proteção são altos e geralmente não justificam o investimento em contratos de hedge, sugerindo que a exposição cambial deve ser encarada como uma oportunidade de retorno.
