O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do Brasil deve registrar a primeira queda em 2026, após sete anos consecutivos de crescimento. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mesmo com a expectativa de um volume recorde de produção, os preços médios de venda estão em declínio.

Projeções do VBP

O Ministério da Agricultura estima um VBP de R$ 1,42 trilhão para este ano, representando uma redução de 4,6% em comparação a 2025. A soja, embora tenha alcançado uma safra histórica de 180 milhões de toneladas, experimenta uma diminuição de 1% nas receitas.

Desempenho da Agricultura e Pecuária

As quedas nas receitas afetam tanto a agricultura quanto a pecuária. No setor agrícola, o valor da produção deve cair para R$ 909 bilhões, uma redução de 6% em relação ao ano anterior. Já na pecuária, a receita recuará para R$ 510 bilhões, com uma diminuição de 2,2%.

Impactos nos Preços de Produtos

O Cepea, ligado à Esalq, aponta que o arroz, mesmo com uma safra menor, apresenta uma tendência de queda nos preços, com o VBP do produto encolhendo para R$ 15,1 bilhões, uma queda de 30% em relação a 2025. O café, por sua vez, enfrenta forte pressão de preços devido à maior oferta global, resultando em receitas de R$ 110 bilhões, uma diminuição de 8%.

Queda nas Receitas de Cana e Milho

A cana-de-açúcar, terceiro maior produto em termos de receita, também apresenta queda, com estimativas de R$ 111 bilhões, 9% a menos. O milho, que já apresenta preços baixos desde o ano passado, deve ter um VBP de R$ 162 bilhões, 6% inferior ao anterior.

Perspectivas para a Pecuária

Apesar da queda nas receitas em alguns segmentos, a pecuária mostra um desempenho positivo, com a produção de carne bovina alcançando recordes no primeiro trimestre de 2026. As receitas da pecuária bovina devem atingir R$ 249 bilhões, 9% acima das de 2025, enquanto os segmentos de frango e carne suína enfrentam recuos de 10% e 20%, respectivamente.

Aumento na Produção de Leite

A produção de leite no Brasil registrou um aumento significativo, alcançando 6,8 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026, um recorde. O Nordeste, impulsionado por inovações tecnológicas e melhorias genéticas, viu um aumento de 14,1% na produção, embora a região enfrente um déficit de 11% na oferta.