Um relatório divulgado pelo MapBiomas Água revelou que, em 2025, quase metade das cidades do Brasil, ou seja, 2.511 municípios, apresentaram uma superfície de água inferior à média histórica. Desde 1985, o país perdeu uma área equivalente a todo o estado de Sergipe em superfície hídrica, refletindo uma tendência preocupante que se intensifica ao longo das últimas quatro décadas.

Redução da Superfície Hídrica

A pesquisa, que utiliza imagens de satélite para mapear a superfície coberta por água, identificou que a diminuição é atribuída a uma combinação de fatores, como mudanças climáticas, desmatamento, e eventos climáticos extremos. Especialistas alertam que essa situação pode afetar o abastecimento de água nas cidades, a geração de energia, a agricultura e o consumo humano.

Municípios em Destaque

Entre os municípios com as maiores perdas estão Corumbá (MS) com uma redução de 474 mil hectares, Cáceres (MT) com 189 mil hectares, e Poconé (MT) totalizando 103 mil hectares. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentraram as maiores perdas, com a Região Hidrográfica do Paraguai apresentando uma queda de 53,8% na superfície de água.

Corpos Hídricos Naturais vs. Artificiais

Os dados também mostram que a maior parte da água mapeada no Brasil (76,7%) é natural, mas os corpos hídricos artificiais cresceram 69% desde 1985. Essa perda de água natural, que inclui rios e lagos, é uma preocupação crescente, especialmente em biomas como o Cerrado e a Mata Atlântica.

Impactos no Pantanal e na Amazônia

O Pantanal, por sua vez, foi o bioma mais afetado, com uma redução de 56% em sua superfície de água. Em contraste, a Amazônia apresentou uma leve recuperação, com um aumento de 2,6% na superfície de água, após enfrentar dois anos consecutivos de seca severa. No entanto, a recuperação não foi uniforme, afetando diretamente comunidades ribeirinhas.

Fatores Contribuintes e Perspectivas Futuras

A análise do cenário hídrico no Brasil indica que a combinação de fenômenos como El Niño, aquecimento global e desmatamento estão alterando o regime de chuvas, resultando em menos água disponível nas superfícies. Apesar de alguns sinais de recuperação em 2025, a tendência histórica continua a ser de preocupação, já que os eventos climáticos extremos tornam-se cada vez mais frequentes.