A rápida incorporação da inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo brasileiro está gerando novos desafios em termos de segurança cibernética. De acordo com o Relatório 2026 sobre o Cenário de Risco de IA e Humano, divulgado pela Proofpoint, 40% das empresas no Brasil já enfrentaram incidentes relacionados à IA, apesar de contarem com controles de segurança específicos para essas tecnologias.
Adoção acelerada e vulnerabilidades
O estudo, que entrevistou mais de 1.400 profissionais de segurança em 12 países, revela que a implementação da IA está avançando em um ritmo mais rápido do que a capacidade das organizações de proteger e monitorar os riscos associados. No Brasil, 93% das empresas já utilizam assistentes de IA em suas operações, enquanto 79% estão testando ou implementando agentes autônomos para automatizar processos.
Desconfiança nas medidas de segurança
Apesar do avanço na adoção da tecnologia, a confiança nas medidas de proteção ainda é baixa. O levantamento indica que 60% das organizações não estão totalmente seguras de que seus controles de segurança conseguiriam identificar um sistema de IA comprometido. Além disso, mesmo aquelas que implementaram mecanismos específicos enfrentam dificuldades, com 40% relatando incidentes confirmados ou suspeitos.
Capacidade de resposta limitada
Outra questão preocupante é a capacidade de resposta a incidentes. Apenas 25% das empresas afirmam estar totalmente preparadas para investigar ocorrências relacionadas à inteligência artificial. Por outro lado, 75% dos entrevistados reconhecem que ainda têm dificuldades para rastrear e correlacionar eventos em diferentes sistemas e canais de comunicação.
Ambientes de colaboração em risco
O relatório também destaca que os ambientes de colaboração se tornaram uma das principais superfícies de ataque. Embora o e-mail continue sendo o vetor mais utilizado por criminosos, com 56% das organizações alertando sobre isso, o risco também se estende a SMS, redes sociais e aplicativos de mensagens corporativas.
Desafios operacionais e estratégias de consolidação
As empresas enfrentam dificuldades significativas para gerenciar a complexidade das ferramentas de segurança. Com 98% afirmando ter problemas nesse aspecto, 71% das organizações estão considerando reduzir o número de fornecedores de segurança, buscando uma abordagem mais integrada. A pesquisa revela que 72% das empresas planejam aumentar os investimentos em proteção para aplicações de IA nos próximos 12 meses.
Em suma, o estudo enfatiza que a inteligência artificial não cria novos tipos de vulnerabilidades, mas intensifica problemas já existentes. Para garantir a segurança, as empresas devem aplicar rigorosos controles de governança e segurança aos ambientes de IA, equilibrando a produtividade proporcionada pela tecnologia com a necessidade de fortalecer suas defesas contra ameaças cada vez mais sofisticadas.
