A direção do PT de Minas Gerais decidiu lançar candidatura própria ao governo do estado nas eleições de 2026. A definição foi reafirmada nesta quarta-feira (24/6), durante reunião da cúpula mineira do partido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro reforçou a estratégia que já havia sido aprovada pela legenda cerca de um mês antes.
Além de confirmar a linha de atuação, Lula voltou a manifestar sua preferência pelo nome da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, apontada por ele como a melhor opção para disputar o Palácio Tiradentes. A reunião contou com a presença da bancada federal mineira e de integrantes da direção nacional do partido.
Lideranças confirmam o entendimento
Após o encontro, a deputada estadual Leninha, presidente do PT em Minas, divulgou nota confirmando o acordo construído entre as lideranças. "As definições sobre esse projeto serão construídas nos próximos dias, a partir do diálogo entre o partido e as forças políticas comprometidas com um projeto democrático e popular para o estado", afirmou, sem detalhar nomes.
A dirigente também destacou que Lula dedicou parte da conversa ao peso de Minas no cenário nacional. Segundo ela, a tradição política mineira, marcada pela capacidade de diálogo e de construção de consensos, coloca o estado em posição central nos rumos do país.
Caminho aberto após recuo de Pacheco
A definição fortalece uma posição que vinha ganhando força internamente desde o fim de maio, quando o senador Rodrigo Pacheco (PSB) descartou disputar a sucessão do governador Romeu Zema (Novo). A resolução pela candidatura própria foi aprovada em reunião de dirigentes, parlamentares e militantes realizada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em Contagem, poucos dias após o anúncio de Pacheco.
Na semana anterior à reunião com Lula, durante visita do presidente a Minas, a secretária nacional de Finanças do PT, Gleide Andrade, já havia antecipado a tendência. Ela afirmou que o partido realizou uma pesquisa ampla e combinou definir, em até dez dias, o caminho a seguir, com forte inclinação para a candidatura própria.
Resistência de Marília Campos
Apesar da preferência de Lula, Marília Campos segue resistente. Pré-candidata ao Senado, ela tem mantido seus planos eleitorais diante das investidas de emissários do presidente. Durante a recente passagem de Lula pelo estado, os dois sequer conseguiram se encontrar: enquanto o presidente cumpria agenda em Belo Horizonte e Divinópolis, a ex-prefeita estava no Vale do Jequitinhonha em compromissos ligados à sua pré-candidatura.
Nomes no páreo
Além de Marília Campos, outros dois nomes aparecem entre os mais mencionados para representar o PT na disputa pelo Palácio Tiradentes: o deputado federal Reginaldo Lopes e a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart, recém-filiada ao partido. Gleide Andrade citou publicamente esses nomes ao defender que a legenda tem quadros competitivos, ressaltando a qualificação de Sandra e a força de parlamentares que poderiam assumir a missão.
Histórico de rejeição em Minas
A aposta na candidatura própria também é vista internamente como forma de o partido ganhar autonomia e enfrentar a rejeição que historicamente o afastou das disputas pelo governo mineiro. Embora Minas tenha sido decisiva para as vitórias presidenciais de Lula em 2002, 2006 e 2022, além das eleições de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, o PT elegeu apenas um governador desde sua fundação, em 1980.
O único petista a chegar ao Palácio Tiradentes foi o ex-governador Fernando Pimentel, eleito em 2014 após duas gestões à frente da prefeitura de Belo Horizonte. Seu mandato, porém, foi marcado por desgaste, sobretudo pelos atrasos no pagamento de servidores estaduais e nos repasses a municípios. Em 2018, Pimentel não conseguiu a reeleição e foi derrotado por Romeu Zema.
