A direção mineira do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu, na última quarta-feira (24/6), lançar candidatura própria ao governo de Minas Gerais na disputa de 2026. A definição, no entanto, está longe de encerrar os impasses da legenda: além de escolher quem encabeçará a chapa, o partido terá agora a missão de convencer aliados a permanecerem juntos na campanha.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que participou do encontro em que a decisão foi tomada, afirmou que o foco da sigla passa a ser reunir o maior número possível de forças políticas antes de bater o martelo sobre o nome do candidato. Segundo ele, a estratégia é construir uma candidatura com capacidade de crescimento ao longo do processo eleitoral.

Aval de Lula e fim da articulação com Pacheco

De acordo com o parlamentar petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também avalia que, diante da recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSB) em concorrer, a melhor saída é uma candidatura própria do PT — desde que ela busque unificar o máximo de partidos aliados em torno do projeto. A tentativa de viabilizar o nome de Pacheco chegou a aproximar diferentes legendas, mas, ao que tudo indica, as siglas devem seguir caminhos separados em Minas, ao menos por enquanto.

As negociações com outras agremiações ficaram sob responsabilidade do presidente nacional do PT, Edinho Silva, encarregado de costurar o apoio das demais forças à candidatura petista.

Cautela dentro da própria federação

A decisão foi recebida com reservas pelos outros dois partidos que integram a federação ao lado do PT: o PV e o PCdoB. O presidente do PV mineiro, Osvander Valadão, afirmou que prefere aguardar a definição do nome e a avaliação das possibilidades de aliança antes de se posicionar.

Já o presidente do PCdoB de Minas, Wadson Ribeiro, declarou que defendia a formação de uma frente ampla, com um candidato que não viesse necessariamente da federação — citando nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e o ex-presidente da Câmara municipal da capital, Gabriel Azevedo (MDB). Apesar da divergência, Ribeiro reconheceu que, pelo seu tamanho, o PT tem maior peso na decisão e ponderou que, diante da escolha tomada e sem cenário alternativo fora da federação, resta aos aliados lutar por uma candidatura o mais competitiva possível.

O dilema do nome e o caso Marília Campos

Nos bastidores, aliados ouvidos sob anonimato avaliam que o quadro pode se complicar caso a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), não aceite o pedido da cúpula petista para assumir a disputa ao governo estadual. A preocupação é que uma candidatura ao Executivo estadual acabe enfraquecida em relação à própria chapa ao Senado.

“Imagine uma candidatura a governador com as asas menores do que a candidata ao senado”, resumiu uma das fontes, ilustrando o receio de parte dos correligionários quanto à força da indicação. Enquanto não há definição, o PT segue trabalhando para equacionar a escolha do nome e, ao mesmo tempo, preservar a unidade entre os partidos aliados rumo a 2026.