Um novo perfil profissional, conhecido como HIC (High-Impact Individual Contributor), vem chamando a atenção ao prometer realizar o trabalho que antes demandava uma equipe inteira. Esse modelo, que se baseia no uso de ferramentas de inteligência artificial, ainda está engatinhando no Brasil, mas já é uma realidade no mercado corporativo americano.

O que é um HIC?

Os HICs são profissionais que abandonam a função de gerenciar equipes e utilizam tecnologias de IA, como geradores de conteúdo e compiladores de código, para realizar tarefas complexas de forma independente. Sua principal função é operar uma cadeia de agentes de IA, direcionando comandos e supervisionando sua execução.

O Cenário no Brasil

De acordo com Robson Gonçalves, economista da FGV, a adoção desse modelo no Brasil ainda está em fase inicial, embora já existam profissionais atuando dessa forma. No entanto, não há uma descrição formal dessa função no país, ao contrário do que ocorre no Vale do Silício, onde a busca por HICs é crescente.

Casos Reais e Propostas de Salário

Um exemplo prático é o relato de Vicente Conde, um executivo que falou sobre um candidato a vice-presidente de produto que pediu um salário três vezes maior do que o previsto, justificando que não necessitaria de uma equipe. Durante um ano, ele documentou suas entregas autônomas com o suporte da IA, buscando comprovar que sua produção era equivalente à de oito pessoas.

Inversão de Lógica no Mercado

Conde destaca uma mudança significativa na lógica de mercado, onde o foco deixa de ser o número de funcionários e passa a ser a entrega de resultados por custo. Essa nova abordagem permite que profissionais que comprovem sua eficácia tenham um poder de negociação muito maior do que o tradicional.

Desafios e Oportunidades

A pesquisa Global Total Rewards Pulse, da Korn Ferry, revela que 76% das empresas acreditam que a influência da IA nos cargos está aumentando. Profissionais especializados em IA têm recebido salários 10% a 15% superiores aos de seus pares. No entanto, a professora Gabriela Nunes alerta para o risco de um 'desemprego silencioso', onde a falta de qualificação para lidar com a IA pode deixar muitos profissionais em dificuldades no mercado de trabalho.