Recentemente, os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma lista de países que falham em proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Essa inclusão, anunciada na última terça-feira, abrange 60 países, incluindo nações como Suíça, Reino Unido e China.

A Crítica dos EUA

A lista foi elaborada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR) e reflete preocupações com a concorrência desleal para trabalhadores e empresas americanas. O governo dos EUA propôs a aplicação de uma sobretaxa de até 12,5% sobre produtos importados desses países, a qual ainda precisa da aprovação do presidente Donald Trump.

As críticas se concentram na suposta falta de uma legislação eficaz no Brasil para impedir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado. Entretanto, o combate ao trabalho análogo à escravidão dentro do país é considerado um modelo internacional.

Políticas Públicas e Avanços

Desde a oficialização da existência do trabalho análogo à escravidão em 1995, o Brasil desenvolveu uma política pública robusta, baseada em três pilares: fiscalização, responsabilização de empregadores e assistência às vítimas. Mais de 68 mil trabalhadores já foram resgatados dessa situação.

O Código Penal brasileiro define o trabalho análogo à escravidão como a submissão a trabalhos forçados ou condições degradantes, permitindo que apenas um desses elementos configure crime, o que representa um avanço em relação a legislações de outros países.

Instrumentos de Fiscalização

A fiscalização é conduzida pela Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em 2025, foram realizadas 1.594 operações específicas, resultando no resgate de 2.772 trabalhadores em condições ilegais. O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) coordena essas ações, integrando diversas instituições do Estado.

Esse modelo colaborativo é fundamental para garantir a responsabilização dos empregadores e o acesso imediato dos trabalhadores resgatados a direitos básicos, como o Seguro-Desemprego e assistência social.

Perfil das Vítimas

A maioria das vítimas resgatadas historicamente está em atividades agropecuárias, mas houve um aumento significativo em áreas urbanas, especialmente na construção civil. O perfil dos trabalhadores resgatados geralmente é de homens jovens com baixa escolaridade, provenientes de contextos de vulnerabilidade socioeconômica.

Desafios e Melhorias Necessárias

Apesar dos avanços, especialistas alertam que as operações de fiscalização sozinhas não são suficientes para erradicar o problema. É crucial desenvolver políticas públicas que abordem as causas estruturais da exploração, como pobreza e desigualdade. Programas de conscientização em comunidades vulneráveis também são essenciais para informar trabalhadores sobre seus direitos e prevenir a exploração.