No Brasil, a economia circular ainda enfrenta desafios significativos, especialmente em um momento em que a urgência por modelos sustentáveis se torna cada vez mais evidente. Apesar da crescente necessidade de reduzir descartes, tanto na indústria quanto na sociedade, a taxa de circularidade no país é alarmantemente baixa, alcançando apenas 1,3%.

Queda Global e Alerta do Ibec

Segundo o Circularity Gap Report 2026, elaborado pela Circle Economy em parceria com a Deloitte Netherlands, a taxa de circularidade global caiu de 7,2% em 2023 para 6,9% em 2024. Beatriz Luz, presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular (Ibec), destaca que a comunidade internacional subestima os custos do modelo linear de produção, que resulta em perdas econômicas significativas, estimadas em 25,4 trilhões de euros anualmente.

A Necessidade de Mudar o Paradigma

Beatriz Luz ressalta a importância de repensar a abordagem da sustentabilidade, que muitas vezes se limita à gestão de resíduos e reciclagem. Para ela, a verdadeira economia circular deve priorizar a prevenção, redesenhando cadeias produtivas e criando novos modelos de negócios que transformem perdas em oportunidades competitivas.

Desafios de Implementação

Com a baixa taxa de circularidade, o foco agora não deve ser apenas no diagnóstico, mas sim na implementação e coordenação de ações. O Ibec está empenhado em quantificar o potencial da economia circular no Brasil e encontrar maneiras de superar os desafios de financiamento e integração nas cadeias produtivas.

Exemplo de Sucesso: Reciclagem de Alumínio

Um exemplo positivo no país é a cadeia de produção de alumínio, onde o Brasil se destaca como líder na reciclagem de latas de bebidas, com um índice superior a 95%. A indústria, juntamente com cooperativas de catadores, consegue movimentar uma engrenagem eficiente que economiza recursos naturais e reduz a geração de resíduos.

Impactos Ambientais e Futuro da Economia Circular

O impacto ambiental da reciclagem de alumínio é significativo: a cada tonelada produzida a partir da reciclagem, evita-se a extração de cinco toneladas de bauxita, além de consumir 95% menos energia. Para elevar a taxa de circularidade no Brasil, é fundamental implementar leis e incentivos que expandam esse modelo para outros materiais, como vidro, plástico e papel.