O 15º Plano Quinquenal da China, que abrange o período de 2026 a 2030, traz novas metas para o setor agrícola, visando aumentar a autonomia do país em relação à produção de sementes. Além de definir objetivos internos, o documento revela a dependência da China em relação ao agronegócio, criando oportunidades para a América Latina, especialmente o Brasil.
Objetivos do Plano
Um dos principais objetivos do plano é garantir que a China consiga produzir cerca de 725 milhões de toneladas de grãos, buscando uma autonomia de 85% em sementes. Contudo, a análise dos especialistas do Santander indica que a dependência em relação a importações de soja e carne bovina é mais estrutural e difícil de eliminar.
Oportunidades para a soja brasileira
A autossuficiência da China em soja permanece estagnada em torno de 16%, e o caminho para a redução significativa das importações desse produto até 2030 é considerado incerto. O Brasil, que já fornece 74% das 112 milhões de toneladas de soja que a China importa, solidifica sua posição no comércio global com a nova estratégia chinesa.
Competitividade do Brasil
O Brasil se destaca como fornecedor de custo marginal, devido a fatores como terras mais baratas, sistema de dupla safra e um real desvalorizado em relação ao dólar. Em 2024, a soja brasileira teve um desconto de aproximadamente US$ 55 por tonelada em comparação à soja americana, seu principal concorrente.
Disputa por áreas agrícolas
A política da “linha vermelha” na China limita a terra arável, o que torna a meta de 725 milhões de toneladas dependente da redução da lacuna de produtividade. Os analistas do Santander alertam que a simultaneidade na produção de milho e soja pode acirrar a disputa por áreas agrícolas, tornando a expansão da produção de soja menos viável.
Avanços no milho e no setor de proteínas
A China já alcançou autossuficiência em milho, reduzindo suas importações de 28 milhões de toneladas em 2021 para cerca de 2,6 milhões em 2025. O Brasil, por sua vez, tem a possibilidade de capturar uma parte significativa desse volume marginal. No setor de proteínas, o Santander recomenda empresas como Sigma Foods e PPC, enquanto a 3tentos se destaca por estar protegida das mudanças na China, ao mesmo tempo em que se beneficia do crescimento do mercado de biocombustíveis no Brasil.
