Uma pesquisa inovadora está sendo realizada no Laboratório de Melhoramento Genético da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde o professor José Raulindo Gardingo desenvolveu uma semente de abóbora que já nasce sem casca. Este projeto, cultivado na Fazenda Escola Capão da Onça (Fescon), em Ponta Grossa, visa trazer ao mercado uma nova opção com potencial produtivo e comercial.
Resultados da pesquisa
As sementes sem casca são resultado de uma colaboração de longa data entre Gardingo e pesquisadores austríacos, que já trabalhavam com essa característica desde o século passado. Após receber algumas sementes, o professor iniciou cruzamentos genéticos com o objetivo de criar um genótipo brasileiro que mantivesse essa inovação.
A mutação natural que permite que algumas abóboras apresentem sementes sem casca foi o ponto de partida para os pesquisadores, que dedicaram 20 anos ao processo de intercruzamento genético. O resultado é satisfatório: agora, as sementes germinam em diferentes tipos de abóboras e já nascem sem a casca.
Expectativas e benefícios
Os testes em laboratório estão na fase final, com a expectativa de que o registro no Ministério da Agricultura ocorra em breve. Gardingo destaca que a semente é prática, pois não requer a remoção da casca e pode ser utilizada diretamente na indústria alimentícia.
Além disso, as sementes possuem uma quantidade elevada de cucurbitacina, uma substância conhecida por suas propriedades vermífugas, permitindo que a população consuma as sementes in natura ou extraia óleo delas. O sabor agradável também é um ponto positivo que pode contribuir para sua aceitação no mercado.
Potencial à saúde
Estudos anteriores, como os da Embrapa, já indicavam que as sementes de abóbora possuem propriedades benéficas à saúde, incluindo a ação vermífuga. Com a nova semente da UEPG, a facilidade de consumo se torna um atrativo adicional, já que não é necessário descascar.
Além disso, as sementes têm mostrado potencial no combate a tumores, reduzindo a incidência de problemas como os que afetam a bexiga e a próstata. Essa característica é especialmente relevante em um cenário onde a prevenção de doenças é cada vez mais valorizada.
Próximos passos
As sementes da UEPG são garantidamente viáveis, com todas as sementes germinando no solo. O professor Rodrigo Mattielo, que colabora na pesquisa, acredita na aceitação do produto por pequenos produtores e no mercado em geral. Após a submissão para avaliação, há uma expectativa positiva de aprovação, já que esse tipo de semente é inédito no Brasil.
