A pensão alimentícia é um tema que gera muitas dúvidas, especialmente sobre como seu valor é determinado. Diferente do que alguns acreditam, não existe um percentual fixo para a pensão. O cálculo judicial é realizado com base em um trinômio: necessidade, possibilidade e proporcionalidade.
Critérios de Cálculo da Pensão
O primeiro critério que a Justiça analisa é a necessidade do alimentando, que, na maioria das vezes, é o filho. Essa avaliação leva em conta os gastos básicos, como alimentação, moradia, saúde e educação. Outros custos, como vestuário, transporte e lazer, também são considerados, sempre buscando manter o padrão de vida que a criança ou adolescente tinha antes da separação dos pais.
O segundo critério é a possibilidade do alimentante, ou seja, a capacidade financeira do responsável que irá pagar a pensão. Para isso, são analisados salários, comissões, aluguéis e outras fontes de renda. Caso haja suspeita de que o alimentante está ocultando patrimônio, o juiz pode determinar a quebra de sigilo bancário e fiscal para verificar a situação financeira real.
Por fim, o critério da proporcionalidade busca equilibrar as necessidades do alimentando com a capacidade de pagamento do alimentante. O valor da pensão costuma ser fixado como um percentual dos rendimentos líquidos do responsável.
Quem Tem Direito a Receber?
O direito à pensão alimentícia é assegurado a filhos menores de 18 anos. Contudo, essa obrigação pode se estender a filhos maiores de idade que estejam cursando faculdade ou curso técnico e não consigam se sustentar. A necessidade de continuar recebendo a pensão deve ser comprovada judicialmente, e não há uma idade limite fixa estabelecida para o término desse direito. Também é importante ressaltar que filhos com deficiência que os tornem incapazes para o trabalho podem ter direito a pensão por tempo indeterminado.
Além dos filhos, a pensão pode ser solicitada por ex-cônjuges, companheiros ou até mesmo por outros parentes, como pais idosos que necessitam de ajuda financeira. Entretanto, os casos que envolvem filhos são os mais comuns e recebem prioridade na Justiça.
Consequências do Não Pagamento
A falta de pagamento da pensão alimentícia pode resultar em sérias penalidades legais. A partir do primeiro mês de atraso, o credor pode solicitar à Justiça que o nome do devedor seja incluído em serviços de proteção ao crédito. Se a situação persistir, o juiz pode determinar a penhora de bens, como veículos e imóveis, e até a decretação de prisão civil, que pode variar de um a três meses.
