Com a crescente necessidade de mão de obra jovem, diversos países ricos têm implementado novos tipos de vistos para atrair trabalhadores qualificados. Esses programas surgiram em resposta à pandemia de COVID-19, que acelerou a adoção do trabalho remoto e expôs a escassez de profissionais em várias áreas.

A Alemanha e o 'Chancenkarte'

A Alemanha, por exemplo, lançou em junho de 2024 o 'Chancenkarte', também conhecido como 'cartão de oportunidades'. Este visto permite que jovens entrem no país por até um ano em busca de emprego, sem a exigência de um contrato prévio. Para se candidatar, é necessário ter um diploma técnico ou superior e acumular pelo menos seis pontos em um sistema que avalia formação, experiência, conhecimento de idiomas e idade.

Além disso, o candidato deve comprovar a disponibilidade de cerca de € 12 mil em conta, equivalente a R$ 69 mil, um valor significativo para muitos brasileiros. Durante a busca por emprego, o portador do visto pode trabalhar até 20 horas semanais em qualquer área, e quem conseguir um emprego pode regularizar sua situação sem precisar voltar ao Brasil.

Desafios e resultados na Alemanha

De acordo com o Ministério do Trabalho alemão, o número de trabalhadores disponíveis no país deve reduzir em 40 mil até 2026 devido a fatores demográficos que incluem uma população envelhecida, sendo que atualmente 21% dos alemães têm 67 anos ou mais. Desde o lançamento do 'Chancenkarte', apenas pouco mais de 11 mil vistos foram emitidos até junho de 2025, muito abaixo da meta de 30 mil por ano.

O cenário no Japão

O Japão enfrenta um problema demográfico semelhante, com quase 30% da sua população com mais de 65 anos. Para combater essa situação, o governo japonês introduziu em março de 2024 um visto para trabalhadores remotos, que exige uma renda anual mínima de 1 milhão de ienes (cerca de R$ 31 mil). A estadia permitida é de até seis meses, mas até junho de 2025, somente 137 estrangeiros estavam vivendo no Japão sob esse visto, nenhum deles brasileiro.

Portugal e a busca por mão de obra

Portugal também lida com um envelhecimento populacional, com 24,3% de sua população acima de 65 anos em 2024. Nesse contexto, o país criou, em 2022, o visto D8 para trabalhadores remotos, que exige uma renda mensal mínima de € 3.680 (R$ 21 mil) e um contrato de trabalho com uma empresa estrangeira. Nos primeiros dois anos, 552 vistos foram emitidos para brasileiros, mas esse número saltou para 2.697 em 2025.

Impactos do aumento de vistos em Portugal

Entretanto, esse crescimento trouxe desafios, como o aumento significativo dos preços de imóveis em Portugal, que registrou uma alta de 18,9% no final de 2025. O governo português tem enfrentado uma crise habitacional, levando à suspensão de benefícios fiscais para estrangeiros e à centralização do processamento de vistos em Brasília, além da abertura de novos centros de atendimento no Brasil.

Outros países em busca de talentos

Além desses três países, a Estônia foi pioneira ao criar, em 2020, o primeiro visto para nômades digitais do mundo. O Reino Unido, por sua vez, lançou em 2022 o High Potential Individual, destinado a graduados de universidades globais de alto nível. Essa corrida por jovens qualificados mostra como os países estão se adaptando para garantir mão de obra no futuro.