O glifosato, um dos agrotóxicos mais utilizados mundialmente e comercializado pela Monsanto desde 1974 sob a marca Roundup, está sob a mira do Ministério Público do Trabalho (MPT). A entidade protocolou uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o governo federal, solicitando a proibição do uso desse produto no Brasil.
Riscos à saúde e ao meio ambiente
No documento apresentado na Justiça do Trabalho do Distrito Federal, o MPT argumenta que o glifosato representa um risco significativo à saúde, especialmente para trabalhadores rurais e comunidades indígenas. Além disso, destaca os impactos ambientais, como a contaminação das fontes de água.
Nos Estados Unidos, a Bayer, responsável pela fabricação do glifosato, enfrenta diversas ações judiciais que alegam que o uso do produto está relacionado ao desenvolvimento de câncer, incluindo o linfoma não-Hodgkin. Essa questão levanta preocupações sobre a segurança do agrotóxico e suas implicações para a saúde pública.
Estudos e evidências preocupantes
A ação do MPT também cita pesquisas que relacionam o glifosato a 28 tipos de doenças, entre elas vários tipos de câncer, Alzheimer, infertilidade e problemas digestivos. O procurador Leomar Daroncho ressalta que o processo visa não apenas a proibição, mas também a busca por alternativas menos tóxicas para a agricultura.
O MPT critica a Anvisa por sua velocidade em aprovar novos agrotóxicos enquanto se demora na reavaliação de substâncias já em uso, que podem apresentar riscos à saúde. A Anvisa ainda não se manifestou oficialmente sobre a ação, mas é um ponto central nas críticas do MPT.
Investigação científica e consequências
Um parecer da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) embasa a ação, destacando que o câncer associado ao glifosato não resulta de exposições esporádicas, mas sim da acumulação do produto no organismo ao longo do tempo. O procurador Daroncho enfatiza que os trabalhadores rurais são os mais vulneráveis a esses efeitos.
Além disso, a ação menciona que a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou o glifosato como “potencialmente cancerígeno para humanos”. Esta classificação reforça a urgência de revisar a utilização desse agrotóxico no país.
Exclusão de pesquisa controversa
Daroncho também aponta que um estudo de 2000, que afirmava que o glifosato não era prejudicial à saúde, foi excluído de uma revista científica em 2022 devido a problemas éticos e de integridade acadêmica, destacando a participação de funcionários da Monsanto na pesquisa. Este estudo foi amplamente utilizado por agências regulatórias para justificar a liberação do produto.
