O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) está investigando suspeitas de fraudes em licitações, uso inadequado de inexigibilidades e possíveis relações entre agentes públicos e empresas ligadas à Prefeitura de Coromandel, totalizando um valor de R$ 4,1 milhões. O ex-prefeito Fernando Breno, do PSD, é um dos nomes mencionados na investigação.
Desdobramentos da investigação
A promotora de Justiça Renata Rodrigues Macedo Bolzan, da comarca de Coromandel, é responsável pela condução do caso. Além do ex-prefeito, a apuração inclui empresários e oito empresas que, conforme a documentação recebida pelo Ministério Público, teriam criado uma rede de relações societárias e operacionais.
Origem das denúncias
O inquérito teve início a partir de uma representação encaminhada ao Gaeco, que apontava para um esquema destinado a monopolizar contratações públicas por meio de empresas interligadas. A documentação também menciona o uso frequente de inexigibilidades de licitação e a partilha de infraestrutura física e operacional entre as empresas.
Contratos sob suspeita
A investigação analisa vários contratos administrativos firmados pelo município. Um deles envolve um contrato de suporte em tecnologia da informação, assinado em 1º de março de 2021. Um aditivo, que entrou em vigor em 15 de dezembro de 2025, teria elevado o custo dos dois últimos meses de execução em até 752% em comparação à média mensal anterior.
Outro contrato em análise foi firmado por inexigibilidade de licitação em 7 de abril de 2026, no valor de R$ 190 mil, para serviços de consultoria estratégica em tecnologia e governança digital. O denunciante afirma que o valor foi liquidado poucos dias após a assinatura, embora o prazo de execução fosse de cerca de dez meses.
Contratos com servidores municipais
Outro foco da investigação envolve a contratação de pessoas que, segundo a representação, também pertencem ao quadro de funcionários da Prefeitura. Em um dos casos, um sócio-administrador de uma empresa contratada atuava como professor na administração municipal ao mesmo tempo em que sua empresa firmava contratos e aditivos. Situação análoga foi identificada com outro professor que também teve sua empresa contratada.
Posicionamento do ex-prefeito
Em contato com a reportagem, Fernando Breno declarou que não recebeu notificação oficial sobre a investigação, tendo tomado conhecimento apenas através da mídia. Ele já protocolou um pedido de acesso aos autos para se defender adequadamente. Breno afirmou que não comentará as alegações até ter acesso aos detalhes e ressaltou que nunca foi condenado judicial ou administrativamente durante sua carreira.
A Prefeitura de Coromandel também foi contatada para se manifestar sobre o caso, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.
