A Clever, uma empresa dinamarquesa especializada em estações de recarga para veículos elétricos, é um exemplo notável de como o modelo de gestão sem chefes pode potencializar o desempenho organizacional. Localizada em uma antiga área industrial de Copenhague, a companhia rompe com as estruturas hierárquicas convencionais, promovendo grupos autogeridos onde todos os colaboradores participam ativamente das decisões.
Transformação organizacional
Fundada em 2012 por Casper Kirketerp-Møller, a Clever começou com uma pequena equipe, mas a visão do fundador sempre foi a de criar um ambiente mais colaborativo e igualitário. Desde 2019, a empresa iniciou uma transformação significativa, eliminando gradualmente os cargos de gestão intermediária, culminando na remoção da própria posição de CEO.
Potencial humano e inovação
Kirketerp-Møller acredita que, em um mundo dominado pela inteligência artificial, o verdadeiro diferencial das empresas será o talento humano. Segundo ele, a liberação do potencial dos trabalhadores é fundamental para a inovação e o sucesso. 'Em uma nova era em que a IA fará tudo com eficiência, será o talento humano que permitirá às empresas prosperar', afirmou.
Vantagens do modelo sem chefes
A ausência de hierarquias tem sido bem recebida, especialmente entre os mais jovens, que valorizam um ambiente de trabalho significativo e que prioriza a autonomia. Helge Hvid, professor da Universidade de Roskilde, destaca que as estruturas hierárquicas podem dificultar a tomada de decisões, criando lentidão devido a múltiplas aprovações.
Estruturas necessárias para a liberdade
Atualmente, a Clever conta com cerca de 500 funcionários, organizados em mais de 50 equipes. Cada grupo é responsável por suas funções, o que facilita a colaboração e a tomada de decisões. Contudo, especialistas alertam que, para que essa liberdade funcione, é necessário um certo grau de formalização das regras, evitando o caos.
Desafios e satisfação no ambiente de trabalho
Lykke Jeppesen, uma das funcionárias, ressalta a importância de trabalhar em um ambiente igualitário, onde a ênfase está no sucesso conjunto. Uma pesquisa interna realizada em 2024 indicou que 92% dos colaboradores gostariam de ir trabalhar todos os dias. No entanto, o modelo autogerido também enfrenta desafios, como possíveis conflitos e o estresse decorrente das responsabilidades compartilhadas.
