A história de Minas Gerais é marcada pela resiliência, mas alguns desastres, como o ocorrido na Zona da Mata em fevereiro, exigem atenção. Com 72 vidas perdidas, o episódio foi o quarto maior desastre por chuvas no Brasil na última década, evidenciando um problema estrutural: a discrepância entre a responsabilidade dos prefeitos e o apoio que recebem de Brasília.
Vulnerabilidade e Dados Alarmantes
Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostram que Minas Gerais é um dos estados mais suscetíveis a desastres naturais. Entre 2013 e 2025, o estado registrou um total de R$ 94,2 bilhões em prejuízos. O estado se destaca por ter o terceiro maior número de decretos por estiagem, enquanto também é severamente afetado por chuvas intensas.
Ameaças do El Niño
Com o retorno do fenômeno El Niño previsto para 2026, Minas Gerais pode enfrentar novas ameaças. Espera-se que isso traga temperaturas extremas e temporais ainda mais destrutivos, colocando em risco a agricultura e a segurança da população. Essa situação requer uma preparação imediata e eficaz dos municípios.
Fragilidade do Apoio Federal
O que preocupa mais do que os desastres naturais é a insuficiência do suporte federal. O estudo da CNM revela que os recursos da União para proteção e defesa civil representam apenas 1,2% dos danos reais enfrentados pelos municípios. Além disso, a execução orçamentária é lenta, com apenas um terço dos recursos autorizados sendo efetivamente pagos.
Iniciativas Locais
Em resposta a essa situação, a Associação Mineira de Municípios (AMM) uniu forças com a Associação dos Municípios Integrados de Minas Gerais (AMIMG) e o Consórcio Interfederativo Minas Gerais (CIMINAS) para formalizar um Termo de Cooperação Técnica. Essa iniciativa visa garantir o envio imediato de máquinas pesadas para cidades afetadas na Zona da Mata, como Juiz de Fora, Ubá e Cataguases, aumentando os esforços para restabelecer serviços essenciais.
Urgência na Prevenção
Atualmente, a abordagem da AMM é uma mistura de diálogo e cobrança. A entidade não solicita ajuda, mas reivindica justiça federativa, enfatizando a necessidade urgente de o governo federal priorizar a prevenção, desburocratizando os repasses e investindo em infraestrutura resiliente. É necessário que a resposta do governo seja tão rápida quanto a urgência enfrentada pelos cidadãos que perderam tudo.
