Na última semana, um grupo de 63 trabalhadores foi resgatado de fazendas em situação análoga à escravidão nos municípios de Santana do Manhuaçu e Matipó, na Zona da Mata de Minas Gerais. A ação foi conduzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que identificou a gravidade das condições em que esses lavradores, que colhiam café, estavam submetidos.
Irregularidades encontradas
A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais (SRTE/MG) informou que os fiscais encontraram várias irregularidades durante a inspeção nas fazendas. Os trabalhadores não possuíam contratos formais e não havia controle de jornada, sendo obrigados a trabalhar sete dias por semana sem intervalos adequados para descanso ou alimentação.
Além disso, as condições de trabalho eram precárias. Os alojamentos careciam de higiene e conforto, com colchões jogados no chão e sem roupa de cama. Os empregadores não forneciam água potável e não disponibilizavam equipamentos de proteção individual, como botas e luvas, essenciais para a segurança dos trabalhadores nas lavouras.
Práticas abusivas
Os empregadores ainda adotavam práticas abusivas, como a cobrança pela alimentação e transporte, configurando servidão por dívida. Durante a abordagem, alguns trabalhadores tentaram fugir, mas foram convencidos a retornar ao perceberem a presença dos fiscais, que investigavam as condições de trabalho.
Adolescentes e aliciamento
Entre os resgatados, havia um adolescente de apenas 14 anos, que estava fora da escola há cerca de um ano. O Conselho Tutelar foi acionado para garantir que ele retornasse à educação. Além disso, a maioria dos trabalhadores resgatados era originária do Vale do Jequitinhonha e da Bahia, e seis deles vinham de Alagoas, sendo recrutados por
