O mergulhador britânico Rick Stanton, conhecido por sua atuação no resgate de um time de futebol infantil preso em uma caverna na Tailândia, está atualmente participando de uma expedição científica em Mato Grosso. O foco é a exploração de uma das maiores cavernas submersas do Brasil, localizada no Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul, a 123 km de Cuiabá.

Quarta etapa da pesquisa

A pesquisa, que teve início há quatro anos, está em sua quarta fase, onde a equipe passou 10 dias na área e conseguiu mapear novas galerias da caverna. O grupo é composto por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e especialistas internacionais, incluindo Jarrod Jablonski, diretor da Global Underwater Explorers (GUE), uma referência em mergulho técnico.

Objetivos da exploração

O principal objetivo da expedição é expandir o conhecimento sobre a caverna submersa. Até agora, os pesquisadores já exploraram mais de 130 metros de profundidade e percorreram cerca de dois quilômetros de galerias inundadas.

Desafios do mergulho

Cada fase da pesquisa exige mergulhos contínuos, onde os exploradores permanecem de cinco a sete horas submersos. Durante esse tempo, eles medem o fluxo da água, registram profundidades e mapeiam passagens, além de identificar características geológicas do sistema.

Conectividade das galerias

Os especialistas identificaram que a caverna possui dois canais que se conectam a aproximadamente 115 metros de profundidade, levando a uma galeria ainda maior que está sob investigação. Para Stanton, a área de Nobres tem um potencial de exploração que pode durar décadas, sendo o planejamento crucial para mitigar riscos.

Estrutura de segurança

A expedição conta com uma estrutura de segurança robusta, incluindo o uso de uma câmara hiperbárica para prevenir complicações relacionadas à pressão durante os mergulhos. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso também está oferecendo suporte às atividades da equipe.

Com as dimensões imensas da caverna, mesmo mergulhadores experientes como Sérgio Rhein Schirato reconhecem que a exploração é desafiadora. Ele destaca a importância de entender o movimento da água e mapear a origem e o abastecimento do sistema hídrico. Utilizando um cabo guia com sensor, os pesquisadores coletam dados que ajudam a planejar futuras explorações.