A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues, de apenas 21 anos, durante uma atividade de rope jump em Limeira, São Paulo, provoca uma nova discussão sobre a segurança desse esporte de aventura, que também é praticado em Minas Gerais. O acidente ocorreu quando ela foi lançada de uma ponte sem estar devidamente conectada ao sistema de segurança, evidenciando falhas críticas na operação.

Erros que não deveriam ocorrer

Marco Antônio de Campos, diretor da empresa Rope Trips, destaca que o acidente não foi uma fatalidade, mas sim o resultado de uma série de protocolos não cumpridos. Ele afirma que a falta de organização e a ausência de checagens múltiplas contribuem para que acidentes como este aconteçam.

De acordo com Campos, o ideal é que cada etapa do processo de salto seja realizada por diferentes profissionais, garantindo assim uma verificação mais rigorosa. Ele sugere que cada salto deve contar com pelo menos cinco operadores, cada um responsável por uma fase específica, desde a preparação até a conclusão do salto.

Orientações para quem deseja praticar

Após a tragédia, surge a necessidade de orientar o público sobre como identificar operações seguras. Campos recomenda verificar a formalidade da empresa, como a existência de um CNPJ e a inscrição no Cadastur, além de confirmar se há seguro de responsabilidade civil. A falta dessas informações é um sinal de alerta.

Outro ponto importante é a análise dos equipamentos utilizados. Campos menciona que o uso de equipamentos inadequados, como capacetes de skate, pode ser um indicativo de falta de preparo, uma vez que não proporcionam a proteção necessária para atividades em altura.

Diferenciação entre práticas semelhantes

A prática de rope jump é frequentemente confundida com o bungee jump. Enquanto no bungee jump o praticante salta preso a uma corda elástica, no rope jump utilizam-se cordas de escalada com pouca elasticidade, criando uma experiência diferente e que requer cálculos técnicos e rigorosos procedimentos de segurança.

Preocupações com operações irregulares

Henrique Araújo, presidente da Associação Mineira de Esportes de Aventura (Amea), expressa sua preocupação com a atuação de operadores sem qualificação em atividades de risco. Ele destaca que a segurança deve ser uma prioridade, com verificações adequadas antes de cada salto.

A Amea, que visa promover a segurança em eventos de aventura, tem observado a atuação informal de operadores em Minas Gerais, com relatos de lesões em situações de falta de preparo. Araújo enfatiza que, embora a legislação sobre turismo de aventura exista, ainda há lacunas que precisam ser preenchidas para garantir a segurança dos praticantes.

A responsabilidade na segurança

A falta de regulamentação nacional específica para o rope jump faz com que a segurança dependa mais da responsabilidade dos organizadores do que de normas rígidas. Araújo e Campos concordam que a qualificação dos operadores é essencial para prevenir tragédias e garantir que os protocolos de segurança sejam sempre seguidos.