Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) revelou que aproximadamente 65,2% das famílias em Belo Horizonte estão com pelo menos uma conta em atraso. Este número representa um aumento de 2,1 pontos percentuais em comparação ao mês anterior, marcando o maior índice desde julho de 2025.

Perfil da inadimplência

Dentre os consumidores com contas em atraso, 46,5% acumulam essas dívidas há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso é de 62,9 dias, o que indica que muitas famílias já não conseguem absorver novas despesas no orçamento. Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, alerta para a necessidade de renegociar débitos para evitar que os juros aumentem ainda mais a pressão sobre a renda familiar.

Endividamento em diferentes faixas de renda

A mesma pesquisa, que analisa o endividamento e a inadimplência do consumidor, revelou que 88,6% dos habitantes da capital mineira possuem algum tipo de dívida. O estudo também mostrou que o endividamento é mais acentuado entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, onde o percentual chega a 89,7%. Para aquelas com rendimento superior a 10 salários mínimos, o índice é de 81,8%.

Cartão de crédito como ferramenta financeira

O uso do cartão de crédito tem se tornado cada vez mais comum entre as famílias que buscam equilibrar seu orçamento. A pesquisa indicou que 97% dos consumidores possuem dívidas nesta modalidade, seguidas por 29,3% em carnês de lojas e 10,1% em crédito pessoal. A economista Gabriela Martins destaca que, apesar de ser um recurso útil, o uso indiscriminado do cartão pode levar a um comprometimento excessivo da renda familiar.

Comprometimento da renda e prazos das dívidas

Os dados mostram que 78,5% dos consumidores têm compromissos financeiros com prazos iguais ou superiores a três meses, enquanto o comprometimento médio da renda para o pagamento de dívidas é de 32,6%. Alarmantemente, 81,4% dos entrevistados destinaram mais de 10% de sua renda mensal para quitar dívidas, com 30,2% afirmando que esse comprometimento ultrapassa a metade do orçamento familiar.

Desafios financeiros e percepção de endividamento

Gabriela Martins comenta que, mesmo com sinais positivos no mercado de trabalho, o orçamento das famílias continua sob pressão. A pesquisa também revelou que 40,1% dos participantes se consideram pouco endividados, enquanto 20,2% se classificam como muito endividados. Além disso, 26,6% dos entrevistados não acreditam que conseguirão pagar suas dívidas em atraso no próximo mês, um aumento preocupante em relação ao mês anterior.