Na manhã desta quarta-feira (10/6), manifestantes de Minas Gerais e Espírito Santo se reuniram em frente ao Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, para cobrar o pagamento de parcelas pendentes relacionadas aos programas de reparação da tragédia ocorrida em 2015 em Mariana.

Reivindicações dos atingidos

Os protestos, que se estenderam até o início da noite, reuniram representantes de diversas categorias, como pescadores, garimpeiros e agricultores. Eles exigem o pagamento de 54 parcelas que, segundo os manifestantes, não foram quitadas, além da retomada do Auxílio Financeiro Emergencial (AFE), que foi suspenso após um acordo entre as empresas responsáveis e instituições públicas.

Durante a manifestação, Nilza Pereira, uma das participantes, expressou a frustração do grupo. "Estamos aqui pelo nosso direito ao auxílio financeiro. Queríamos ser ouvidos, mas não tivemos voz. Há 54 parcelas faltando", afirmou.

Programa Indenizatório Definitivo

A reivindicação central está ligada ao Programa Indenizatório Definitivo (Novel), que previa um total de 125 parcelas. Contudo, muitos beneficiários receberam apenas 71 meses de pagamento, resultando em uma diferença de 54 meses que as comunidades cobram como compensação.

Gleice Kelly, representante dos garimpeiros, também destacou a lentidão do Judiciário em resolver a situação. "Nossa reivindicação está na mesa do juiz e não foi assinada até hoje. Os atingidos precisam ser reparados dignamente", disse.

Atrasos e ausências de respostas

A falta de resposta das autoridades foi um ponto recorrente durante o ato. Litunoi Araújos, pescador da bacia do Rio Doce, mencionou que uma petição protocolada em janeiro de 2025 ainda não obteve retorno. "Foi feito um abaixo-assinado com quase 20 mil assinaturas, mas até hoje estamos esperando", relatou.

Araújos ressaltou que a demora agrava a situação social de muitas famílias que dependem dos recursos do rio para subsistência. "Muitas pessoas estão adoecendo e enfrentando dificuldades. Não sabemos mais como manter o sustento", alertou.

Impactos na pesca e na agricultura

A crise na pesca foi um tema central entre os manifestantes. Os pescadores afirmam que os impactos ambientais ainda afetam suas atividades econômicas. "Ninguém compra mais peixe. Não existe sobrevivência para o pescador", lamentou um dos participantes, com décadas de experiência na profissão.

Além disso, a agricultura familiar também é afetada, com muitos produtores enfrentando dificuldades devido à insegurança da qualidade da água e dos produtos cultivados. Os moradores protestaram em frente ao TRF-6, esperando que suas demandas fossem analisadas com mais agilidade.

A tragédia de Mariana

O rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015, é considerado um dos maiores desastres socioambientais do Brasil, impactando milhares de famílias e comunidades que dependiam do Rio Doce para viver. As consequências da tragédia ainda são sentidas nas comunidades locais, que lutam por reparação e reconhecimento.

A Samarco, procurada para comentar as reivindicações, afirmou que todos os pagamentos foram realizados de acordo com os acordos e decisões judiciais. A empresa enfatizou a importância de buscar informações corretas sobre o processo de reparação em fontes confiáveis.