A volatilidade nos preços do petróleo, causada por incertezas no Oriente Médio, está gerando preocupações sobre o consumo interno no Brasil. Rogério Poppe, CEO da ARX Investimentos, que administra aproximadamente R$ 53 bilhões em fundos, ressalta que essa instabilidade pode ser prejudicial para as empresas no curto prazo.

Impactos do aumento no preço do petróleo

Durante uma entrevista ao programa C-Level, Poppe comentou que o aumento nos preços dos combustíveis, embora modesto no Brasil, tem o potencial de reduzir a demanda. Nesta quarta-feira (10), o barril Brent, referência global, teve um aumento significativo de 3,88%, fechando a US$ 95.

O gestor alertou que se o barril ultrapassar os US$ 100, isso pode acarretar riscos de recessão global. No entanto, ele não considera essa possibilidade em seu cenário-base, mas prevê que os preços devem se manter entre US$ 10 a US$ 20 acima do que a ARX projetou em 2015, quando o preço estimado era de US$ 60.

Estratégia de investimentos da ARX

Em resposta à pressão sobre os preços do petróleo, a ARX decidiu não reduzir suas apostas em ações do setor de consumo doméstico, mas sim congelá-las. Apesar da expectativa de baixo crescimento para esse setor nos próximos meses, a gestora acredita em uma recuperação futura.

Poppe enfatiza que, mesmo com a taxa Selic alta, os investidores pequenos não têm muitas opções fora da renda fixa. Ele reconhece que pode ser desafiador convencê-los a migrar para a renda variável, uma vez que a volatilidade pode criar desconforto significativo.

Perspectivas para o mercado de IPOs

Sobre o mercado de ofertas públicas iniciais (IPOs), Poppe observou que a única oferta recente, da Compass, empresa de gás do grupo Cosan, reflete um mercado de ações subvalorizado. Segundo ele, a retomada de novos IPOs deve ocorrer somente em 2027, quando a Bolsa alcançar patamares mais altos.

Expectativas eleitorais e suas consequências

Discutindo as eleições, Poppe mencionou que a candidatura que apresentar uma agenda fiscal robusta terá um impacto positivo nos preços dos ativos. Ele acredita que a continuidade das reformas e ajustes na curva de juros são cruciais para melhorar o cenário econômico e do mercado financeiro.