O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está prestes a se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após um período de distanciamento político. A expectativa é que o encontro ajude a destravar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a proibição da escala 6x1.

Distanciamento e novas negociações

Lula havia mostrado resistência a essa reaproximação, influenciado por pesquisas que indicavam um possível impacto negativo em sua imagem. No entanto, conselheiros do presidente argumentaram que a reconciliação com Alcolumbre é crucial não apenas para a PEC, mas também para evitar a aprovação de pautas potencialmente prejudiciais ao governo durante o período eleitoral.

Reuniões e encontros cancelados

Alcolumbre havia planejado uma reunião com líderes partidários para discutir o andamento da PEC, mas o encontro não se concretizou. Além disso, ele cancelou duas reuniões com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), que tinham como pauta o relator da proposta e o cronograma de tramitação.

Jantar sigiloso e preocupações com impacto fiscal

Na última terça-feira (9), Alcolumbre participou de um jantar discreto com membros da oposição no Senado e empresários influentes. Durante o encontro, ele reiterou que pretende avançar com a PEC, mas sem pressa, e escutou preocupações sobre os custos que a redução da jornada de trabalho poderia acarretar para as empresas.

Necessidade de reconciliação

Apesar de um histórico de desavenças, tanto a ala política quanto a econômica do governo reconhecem a necessidade de uma reconciliação entre Lula e Alcolumbre. O relacionamento se deteriorou, especialmente após a rejeição da indicação do advogado-geral da União para o Supremo Tribunal Federal, um evento que marcou uma derrota significativa para o governo.

Impactos das pautas em discussão

Alcolumbre também se reuniu com ministros para discutir a PEC 6x1 e outras propostas, que incluem questões fiscais sensíveis. Os ministros da Fazenda e do Planejamento alertaram sobre os riscos associados a essas pautas, destacando que, embora possam parecer populares, podem criar complicações financeiras para a administração de Lula caso ele seja reeleito.