Nesta quarta-feira (27), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai contatar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a jornada de trabalho 6×1. Marinho afirmou que também participará das negociações com senadores para garantir o avanço da proposta.

Encontro com Empresários

O anúncio do ministro vem na sequência de uma reunião entre Alcolumbre e representantes do setor empresarial, incluindo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Durante este encontro, o empresariado expressou a necessidade de focar a discussão com os senadores, uma vez que não era viável dialogar com os deputados antes da apreciação da proposta na Câmara.

Demandas do Setor Produtivo

Entre as solicitações feitas pelos empresários, destaca-se o pedido para que a votação da PEC ocorra somente após as eleições de outubro. Essa estratégia visa desvincular o debate sobre a redução da jornada de trabalho do calendário eleitoral, evitando que o tema se torne uma questão política durante o período de campanha.

Condições para Tramitação

Outra demanda é que o relator da proposta não esteja concorrendo à reeleição, de forma a minimizar a influência do calendário eleitoral sobre as discussões. A tramitação da PEC começará na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que é presidida por Otto Alencar (PSD-BA), aliado do presidente Lula. Até o momento, Alcolumbre não fez comentários públicos sobre o assunto após a reunião.

Relações entre Lula e Alcolumbre

Desde a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), as relações entre Lula e Alcolumbre tornaram-se tensas. Quando questionado se a “sensibilidade” do presidente do Senado superaria essa crise, o ministro Marinho respondeu que a comunicação entre eles se restabelecerá em breve.

Expectativas para a Votação

Marinho também evitou estipular prazos para a votação da PEC no Senado, ressaltando que este é um processo que envolve várias perspectivas. O ministro pediu que o Senado atue rapidamente, mas respeitando seu próprio tempo, e expressou esperança de que o relatório seja mantido para evitar que o tema retorne à Câmara e depois volte ao Senado novamente.