A recente sequência de compromissos do presidente Lula (PT) no Rio de Janeiro se insere em uma estratégia planejada para tirar proveito da fragilidade do palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) em sua base eleitoral. A equipe do presidente busca maximizar os resultados de sua atuação no estado, especialmente após a ascensão do desembargador Ricardo Couto como governador interino.

Estratégia de Fortalecimento

Com uma avaliação positiva entre os eleitores, Couto tem promovido ações como auditorias em contratos e exonerações de funcionários suspeitos, o que contribui para o fortalecimento da imagem do governo. Essa movimentação é uma tentativa de reverter a vantagem que Jair Bolsonaro (PL) obteve nas últimas eleições, onde a diferença de votos em 2022 foi de 14 pontos percentuais e em 2018, de 36 pontos.

Compromissos no Estado

Nos dias 22 e 23, Lula participou de cinco eventos ao lado de Couto, sendo o principal deles a assinatura do termo de adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Este programa permitirá ao Rio de Janeiro refinanciar sua dívida com a União, que atualmente soma R$ 210,6 bilhões, reduzindo-a para R$ 168,5 bilhões.

Investimentos e Desenvolvimento

Com a adesão ao Propag, a parcela mensal que o estado deve pagar cairá de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões, resultando em um alívio financeiro de R$ 3 bilhões somente neste ano. Além disso, Lula também firmou convênios do Novo PAC, totalizando R$ 700 milhões para obras em três favelas.

Busca pela Moralização

Durante os eventos, Couto se posicionou como um governador neutro e destacou a importância do Propag, que chamou de um "presente". Lula, por sua vez, ressaltou o papel de Couto em moralizar a política e combater a corrupção no estado, um ponto que reverbera fortemente entre os eleitores.

Cenário Político Atual

O movimento do presidente também visa explorar o enfraquecimento do palanque de Flávio no Rio, especialmente após Cláudio Castro abrir mão da pré-candidatura ao Senado, envolto em investigações da Polícia Federal. O atual cenário é menos adverso do que nas últimas eleições, quando o PT enfrentou dificuldades significativas.